quinta-feira, setembro 30, 2004

o prédio cinzento

Ele ergue-se a pedir a
vida ou a entrada
tuas
Escolhas são passíveis de serem feitas
Ele
Vêm-se espíritos nele saindo das suas janelas
dele... Consumindo todo o redor
, é o prédio cinzento,
Chama pelas almas e é a nova definição tortuosa
de casa assombrada / labirinto dos tempos modernos…
O prédio cinzento não tem saídas
nem garagens ou jardins que forneçam algumas
pistas

a sua presença estóica de onde
por vezes saem das suas janelas opacas braços negros de ar sólido
gelatinosos etéreos
Escadas invertidas e perpendiculares a elas mesmas
portas que só se abrem ou só se fecham
E os suspiros sempre presentes de pessoas perdidas para
sempre… Vêm-se pelo canto do olho
escalando por dentro o grande prédio cinzento…
Com jardins e salas interiores
infinito de quartos e estilos arquitectónicos
Vem, vem perder-te no prédio cinzento
Onde o teu verdadeiro tormento
Será o permanente descobrir de ossos
Ainda frescos.

quarta-feira, setembro 29, 2004

porquê sentirmos, porquê gostarmos, porquê amarmos.

Porquê estarmos juntos…?




- E porque não. Vês-te sozinha, assim como estás, negando o pouco que talvez tenhas a negar…em relação a mim?
- Talvez. A vida das pessoas é complicada João. Tu não?
- É diferente. Óbvio que não. Se sentimos algo, porquê estarmos separados, quando podemos estar juntos…?
(e porque não…)
- O que importa é que -----


uma conversa que não existe pode ser das coisas mais lúcidas que existem. Um poema pode ser a mordedura mais venenosa no tecido carnudo e fibroso da realidade, localizado na parte interior da nuca.
E um olhar enevoado esquece-se sempre que nunca poder dizer que o sente é o que existe na verdade.
Nascemos anjos com asas cheias de sangue nos nossos quartos.
Vamos conquistar o sagrado do amor numa guerra santa.




Lamento pessoal mas hoje só dá mais um poema. Sinto-me asfixiado.
João. O post atrás também era meu.

este texto não tem parágrafos. mas a culpa é da porra do blog. este será o título.

Passaram-se vários dias sem escrever, mas nem por isso nos sentimos mais velhos, menos humanos. Digamos…: temos sentido saudades de tudo. E de todos. Eu, pelo menos…e uma febre, que sobe e desce, aparece / desaparece. Tem existido em mim há quatro dias. Não é triste…eu ando amputado. Olha par a folha de papel, a amada, a inimiga, a suicida. Nada. Escrever. As palavras formam-se sempre na minha mente, mas novamente estou a passar por aquele sentimento de que já disse quase tudo o que tinha a dizer. Nada…puramente mais ridículo.Meu deus tenho tido tantas saudades de tudo. De ti e de escrever, e de viver, e de ser útil. Talvez do meu passado eu para lhe dar um par de tabefes, e abraça-lo por um trabalho bem feito. Por outro lado. A música millionaire da kellys, é muito boa.Tentemos de novo: pôr sempre poemas aqui não servirá de muito. E os meus dias têm sido a mesma rotina que tem a palavra anti-clímax espalhada como luz banhada numa janela à tarde. Digo: isto não pode ser belo, não. Acreditem. Não existe beleza nenhuma nas férias. Eu…queria viver mais, estes meus últimos dias. Estou na porra deste limbo há incontáveis dias. E procurar-te, porque não, sabendo com o gozo de antecedência que posso de facto encontrar-te, no fim do meu dia para torná-lo melhor: estes heróis, estes heróis da vida decadentes de Verão.E é também escrever. Sento-me aqui e custa-me fazer alguma coisa. Não por falta de gozo, jeito. Falta de…falta de ausência de comodismo.Não. Quero explicar. E poderemos fugir tanto uns dos outros. A guerra pode-se negar tantas vezes, podemos perder-nos tantas vezes. Fui hoje sair, como faço sempre: a rotina também tem sido absolutamente incrível…não, não é estranha, senão não seria rotineira; porque acordo de manhã, mas tarde; porque me arrasto pela casa até ao almoço, me visto vagarosamente, e vou sair para Lisboa fazer o que quer que tenha que fazer: tomar café, conversar com amigos cujas conversas oh, já eu conheço tão bem. Voltar. Desesperar ante a folha de papel com um sorriso. Sentir a febre, a cabeça que lateja. Não estou a morrer, afinal. Não me importa muito nada.E as aulas, que não começam.

sábado, setembro 25, 2004

Encontro.

Hoje não dá.
Voltarei para falar contigo
num dia em que haja menos sol
e algum ruído a acompanhar o cenário.
Ao cima da rua encontrarás um café.
Entra e senta-te;
e espera um pouco por mim.
Não demorarei – (nunca demoro).
E poderemos falar, olhos nos olhos, à vontade.




(Pedro)

sexta-feira, setembro 24, 2004

boulevard

Mas ainda não
alastra a carne decomposta em
. esferas
; Quase perfeitas na minha espiral implexo
invertida de saber de
. - O feto
Que nasce é uma planta mas amanhã
É.
Como se fosse tudo
acabar.
Recomeçar.
De novo.



Então, boa noite rua da cidade adormecida
. boa
noite
...yeah, right.
De novo: As cordas
partem-se . depedidas infinitas
em
. em
Partidas impossíveis...usa
a harmónica
. :Diz
adeus a todas as coisas vivas
mortas e irrecuperáveis descansam
...yeah, right
Os restos humanos
Da minha saudade apodrecida.


...yeah, right.



quinta-feira, setembro 23, 2004

Eles navegam, eles
galopam por entre e na direcção de mim
furiosos
estes cavalosnos meus sonhos…Em
crescendo.

Passam como meteoros negros
e cinzentos no fundo
azul
que eu não compreendo
Avançam, correm resfolegando
animais
Mas tão humanos
Ultrapassam o recorde de velocidade
Na imensidão de todo
o fascínio
Vêm em direcção a mim ainda.



Saltam os obstáculos tornando as crinas
e as caudas
As caudas de si mesmos - cometas
Ou raios de fachos negros
Vão inundar-me
São milhares
Correm pela areia e
parece que saem do mar como ondas
Tão, tão furiosas
euSó consigo observar
fascinado
Este animal indomado
Força absoluta da natureza
Uma
Onda
Que me vai apagar da face da terra.




Cavalos nos meus sonhos
São tão incríveis quanto misteriosos
Quanto
assassinos
De negro e cinzento
É tão belo
o espectáculo
O sonho indomável
Que me vai matar.

Os cavalos inundam-me
Expludo em prazer e
Terror
Antes de acordar .




João. 22/23/09/04

horses in my dreams

Eles navegam, eles
galopam
por entre e na direcção de mim
furiosos
estes cavalos
nos meus sonhos... em
crescendo.



Passam como meteoros negros
e cinzentos no fundo
azul
que eu não compreendo
Avançam, correm resfolegando
animais
Mas tão humanos
Ultrapassam o recorde de velocidade
Na imensidão de todo
o fascínio.
Vêm
em direcção a mim ainda.



Saltam os obstáculos tornando as crinas
e as caudas
As caudas de si mesmos - cometas
ou
Raios de fachos negros
Vão inundar-me
São milhares
Correm pela areia e
parece que saem do mar como ondas
Tão, tão furiosas
eu
só consigo observar
fascinado
Este animal indomado
Força absoluta da natureza
Uma
Onda
Que me vai apagar da face da terra.



Cavalos nos meus sonhos
São tão incríveis quanto misteriosos
Quanto
assassinos
De negro e cinzento
É tão belo
o espectáculo
O sonho indomável
Que me vai matar.


Os cavalos inundam-me
Expludo em prazer e
terror
Antes de acordar








João.

segunda-feira, setembro 20, 2004

special needs

Mas a história do nosso amor foi outra.
O início começa de uma maneira extremamente romântica…não a nossa maneira, não. Foi outra. Por entre a música, em balneários banhados pela. Luz: dois jovens. A personagem andrógina começa a cantar, então…e.
É como se um milagre acontecesse. Os jovens começam-se a sentir, tão longe, tão separados um do outro. Existe beleza. Existe, existe um desespero maior do que o nome, quando – a dezenas, centenas, ou milhares de quilómetros um do outro, os jovens começam a abraçar o ar, reagem ao contacto imaginário do seu outro amor na pele – deslizam pelo ar um do outro e respiram o suor esotérico um do outro.
No chão do balneário, cada um faz amor imaginando, sentindo de facto, o outro.
O amor na sua forma mais sublime.
O nosso amor talvez ainda não exista. Talvez ainda seja uma sombra. Não foi uma fuga, não foi uma onda furiosa no mar. O nosso amor ainda por explicar…é uma vaga. E sabemos entre lágrimas de emoção que ele vem na nossa direcção, é impossível fugirmos a ele…e mesmo assim talvez lutemos pela lucidez.
Recomeça tudo de novo.
É amar-te – não, mas que palavra tão gasta. É ter-te, é sentir-te e queimares como uma respiração por todo o meu corpo, quando penso em ti; e, invariavelmente, estremeço. E ainda nem fizemos amor. Não importará para nada, talvez. É conhecer-te na noite que me inunda quando olho pela janela e sei que tu, algures num outro quarto, dormes – meu Deus. O sentimento pode ser uma coisa tão andrógina. Quando as guitarras gritam de novo, é inevitável – já estás marcada nesta música. Saltar para uma mota, um carro, arrancar à velocidade toda, percorrer os quilómetros que nos separam só com a força do teu pensamento –
Estar contigo, afinal.
A felicidade é uma sombra. Mas tu és a luz que a projectas, no fim das tardes em que o Sol morre.
É sempre aí que renasces.

Certa noite, tristemente

Tentei trepar pelo teu braço
como uma leve brisa
tentando aconchegar-me no teu ombroao chegar ao fim da viagem – da missão.
E agora que estou gasto,
pouco me resta senão sorrir.
Eras tu -
Acompanhei-te a casa,
falámos como num dia normal
como se no amanhã ainda nos pudéssemos encontrar.
Mas não…
porque essa noite quebrámos as correntes que nos prendiam
e foi como se o nosso amor estalasse
e pudesses cantar tristemente,
enquanto te via desaparecer nas luzes do prédio.
Sentei-me ao relento por horas,
não esperava por ti, queria apenas despedir-me
Como só eu o sabia fazer…sozinho.
Sei que me observaste da tua janela
e de relance, vi a tua lágrima cair durante uns segundos –
e foi como se demorasse horas a falecer no ar –
até pousar na minha mão.
Não te disse adeus.
Sabíamos bem que entre grandes amores
não havia nada que as palavras pudessem dizer.
Lembro-me de ter caminhado pelo passeio húmido
e não sei como,
mas sei que essa noite, de regresso a casa
até às origens de um outro tempo,
caminhavas comigo, de mansinho,
sem que a tua presença se fizesse notar.
Nessa noite, meu amor, tornaste-te o anjo que me acompanha.

(Pedro)

ponto do décimo-primeiro capítulo

Não foram fáceis, os dias em que partiste. São muitas as coisas que me lembro de interesse, poucas as que tenho a relatar. Se pudéssemos contá-las com os dedos apenas, talvez fosse mais fácil. Quem sabe.
Começou tudo por ter mudado a marca dos cigarros. Quando estou sozinho e penso nisso sabem de forma diferente. Mudei-os para a tua marca, e, nos dias em que estou sozinho.
Talvez ainda me lembrem de ti. Talvez ainda te possa sentir neles. A minha única homenagem a ti, isso e as lágrimas que chorei no primeiro dia. Também sou humano e existe ainda sensibilidade em mim.
Depois, as vezes em que me punha a fitar as coisas, sonhadoramente. Eram as vezes em que assomavas à minha memória de repente, e invariavelmente perguntavam, estás bem.
Morreste e o Verão chegou.
Por vezes pergunto-me, se não tivesses morrido. Giro as mãos muitas vezes, devagar, e, no ar revolvido em tons translúcidos, vejo a tua cara. Agora, estás longe. Parece-me que vou ter de aprender a viver com isso. Aceitar isso. Disseram-me que custaria a início. Bem. Eu diria que os tempos intermédios são os mais difíceis. Quando julgamos que ultrapassamos as coisas, temos ainda de saber porque é que o fizemos, e se o fizemos depressa demais. Ou devagar demais.
Se não tivesses morrido. Sei que a vida não pode ser fácil para sempre, a perda acompanha-nos para sempre. Mas ainda penso em ti, às vezes, nas tardes cheias de Sol, porque só em dias de Sol estivemos juntos e só em tardes de Sol dissemos o quanto gostávamos um do outro.
As coisas que uma pessoa se lembra. Farrapos de pensamento presos no fogo invisível das palavras. Decifrar o sentido de humor oculto da vida. Perceber que hoje, um dia de Novembro. Podia estar a chover, mas não está. Daqui a dois dias fazes seis meses. Seria tão ridículo se chovesse, porque não faria sentido nenhum.
Perguntar ao mar que não conheço, porque ter andado nele uma vez por semana não nos diz nada – o que achas. Trato-o por tu porque serás sempre um companheiro furioso, e gostava que me respondesses. Assim seria tudo tão fácil. Mesmo que quem diga que o mar

é só o mar, e que o que ouvimos do mar é mentira, e que a mentira está em nós. E ele de facto só ruge, não me diz nada. Ruge na voz primordial das coisas, diz-me tudo aquilo que sou e que fui e que penso ser na minha vida numa língua que não percebo. Na verdade, acaba por ter sempre razão. É o conselheiro perfeito.
Desprezo-os e pergunto-lhes porquê o medo de sonhar, ou imaginar. Se eles soubessem qual é a dor de partir. O porquê da perda, a estúpida equação da vida, que nos ceifa só pelo porque não. Amanhã serei eu e eles. A perda. Sentir-te novamente uma vez mais antes de partires e perguntar porquê. Ou desejar-te boa sorte, fica bem, a gente vê-se um dia destes por aí. Aparece quando estiver desprevenido, a pensar em nada. Sei que a partir de agora, será sempre assim.
Uma tarde fomos ter juntos ao C.C.B. Não é uma piada. Ou melhor, estava lá eu sozinho. Fui lá o primeiro sábado depois de teres morrido. Estavas ainda tão forte em mim. É que, tínhamos combinado esse dia, vermo-nos, com uns amigos. No jardim das oliveiras, a ver o Tejo passar ao fundo, dar uma volta por ali. Enquanto os exames não vinham nem tremiam ainda. Sabes... O dia estava esplêndido. Tentei escrever, quando cheguei a casa, com a dor.
Dezenas e dezenas de poemas. Chorei a tarde toda, à tua espera, a ver se vinhas. E vieste, mas não em corpo. Estava tão destroçado. Depois parei e fiquei a ver o pôr-do-sol. Claro que nunca poderias ter vindo. Aparecido. Mas esperei-te porque sabia que tínhamos combinado nesse dia.
E, a dada altura, convenci-me que estavas mesmo lá.
Não quero que morras em mim, como o Verão em que partiste morreu também. Mas tem sido tão difícil para mim. Fiz essa promessa, nesse dia. Não cuspi na mão esquerda nem me cortei e assinei com sangue, apenas prometi a mim mesmo que, no meu coração, nunca morrerias. Que poderia ter mais pessoas na minha vida, casar-me, putos, mas que nunca te esqueceria. A vida era tão boa para nós.
Ainda hoje não percebo. A casualidade da vida. Eras apenas uma rapariga qualquer. Morreste na mesma, escolhida talvez ao acaso como os gritos que demos na praia sem sentido – talvez para celebrar a nossa felicidade e o facto de estarmos vivos. Talvez não importe pensar nisso, mas a tua data aproxima-se. Talvez deva pensar sempre em ti e não só nos dias revestidos de algum simbolismo. Mas eu pensava todos os dias em ti. E, nessa tarde, decidi ir para a frente na minha vida.
Nunca mais estaríamos juntos e tudo o que imaginara, era mentira.
E nunca mais se repetiria.
Perder-te de repente foi tão, tão doloroso. Tão assustador. Sinto a tua falta, aqui, agora. No intervalo da noite que grita ao longe. Acendo um dos teus cigarros, mas nem por isso te sinto mais perto. Só dolorosamente mais longe. Sempre longe, nunca perto. Lembro-me dos poucos momentos em que passámos juntos, como se isso te pudesse trazer de volta. Eras Mariana mas para mim eras outra coisa. E ver-te. De novo e sobretudo.
Correr para ti devagar. Tentar sentir-te como quem morde com força um corpo entrelaçado.
Sabes… contigo aprendi a dimensão do amor. Não pelo facto de ter tido, ou pelo facto de teres sido especial. Não. Foi somente porque partiste, de repente. E eu nem me pude despedir. Partindo primeiro, antes de partires no meu coração – é engraçado. Assim me ensinaste a verdadeira dimensão do amor.
Nunca pensei que nunca morresses, aqui dentro.

Estou pronto para te esquecer. Suspirar fundo a e aceitar o dia de amanhã, que vem. Vai ser uma Sexta-feira, um dia como os outros. Se calhar volta a chover. Depois vem Sábado. E nesse dia não teremos segundas chances. Só nos poderemos despedir uma, e última vez. Nunca morrerás aqui, mas talvez possa fazer as pazes contigo…
E esquecer-te, derradeiramente.
Sei que entenderás. Chegou o momento de te esquecer e seguir em frente. Não és a soma de todos os poemas que te escrevi, nem de todas as lágrimas que por ti um dia chorei. Não és o espírito das noites em que pensei em ti por horas ao som de qualquer música plasmídica… mas quem me dera que fosses. Quem me dera que fosses a explicação possível para as coisas por que passei, as saudades derradeiras e dolorosas que tenho sentido. Os sentimentos novos que tenho experimentado.
As mentiras que um dia te contei.
Nunca te importaste e nada disso importa, no fim. A tua face ao negro e amarelo, numa fotografia que capturámos. Nunca mais verei de verdade a realidade dessa cara da qual um dia gostei. E que só aprendi a amar quando te foste.
Apesar de te esquecer, nunca deixarei de sentir a tua falta.
Partiste para a tua estrela, e deixaste-me sozinho no deserto.

Para ti. Para um dia.

Podíamos pegar num colchão duro e em alguns lençóis lavados e assustar-nos um pouco com os corpos um do outro sem pensar em muito mais a não ser no sol que desmaia e no que faremos nos momentos seguintes. E faríamos isso como se desesperadamente tentássemos recuperar a inocência que cedo perdemos, aquando da morte da nossa infância. E é assim que se cria o amor adolescente nas pausas da rotina entediante. Como se existisse uma certa ligeireza parca a conceber todos os nossos sonhos e pensamentos. Quem sabe, criaríamos ternura durante anos a fio e pelas gerações que haveriam de vir o nosso amor (ou o que quer que seja que construíssemos durante essas horas) seria sempre recordado como a tragédia romântica dos nossos tempos – apenas um pouco mais distorcida. E se estiver enganado acerca de quem somos, de pouco importará quando assinarmos a nossa carta de despedida. Rumaremos a uma nova cidade e começaremos um novo ciclo em local incerto onde seremos novamente desconhecidos e poderemos dar lugar aos ensinamentos do passado. Repetiremos os nossos passos, os mesmos erros de sempre como se fosse a primeira vez, como se soubesse bem repeti-los, como se ainda fôssemos a tempo de errar. Descansaremos os nossos velhos corpos, cansados que estarão da vida e da viagem., mas desta vez será num trono de veludo onde poderemos reinar sob os nossos destinos e cada um decidirá quem será como se nos fosse permitido usurpar identidades alheias. E havemos de conseguir. E ao apagar a luz do quarto, já teremos outras incertezas e a mesma certeza de sempre: nunca deixaremos de caminhar lado a lado, de mão dada. E nunca deixaremos de nos entreolhar…assustados.
(Pedro)

domingo, setembro 19, 2004

hoje.

Repito para mim três vezes entre esta manhã – o dia de hoje. Como será o dia de hoje, ou será que nem será sequer. Não é o medo que me devora, é a incerteza, a inconstância, o não dominar o meu próprio destino, sentir que estou perante um abismo meu, vou mudar algo, vou existir em algo, vou ser algo e talvez alguém para outro alguém.
Geralmente, o resto costumam ser preces. É interessante…estas são as minhas. Escrevo ao som de Helena. Porquê a explosão sónica, poder-se-à perguntar. Hum, digamos…é um querer mascarar os verdadeiros intentos desta fúria que pode deflagrar se nada, NADA, acontecer, “um querer mudar de assunto, questões para quê”. O próprio sentido da coisa não me escapa, porém só na tentativa de explicação falho. Que importa? Para mim importa muito. É por conseguir entender-me e entender os outros que faço parte da tribo humana normal, a que pensa, tem uma vida, e morre na comundade. Isso no entanto não interessa para nada neste momento, só interssa a incerteza, a – que me devora, que me chama e pulsa, eu não, não sei. Mas sinto-me lúcido. Não é que não queria explicar o que quer que seja; antes procuro complicar um pouco isto para me saber um labirinto…quando na verdade do que falo é em si um labirinto também, tão confuso e quem me dera; - saber a saída.
Talvez a minha escrita simplifique quando me achar do lado da verdade.
Ou do futuro que busco.
…(como é importante o dia de hoje, se acontecer.)

(joão. O poema atrás foi escrito também por mim)

sexta-feira, setembro 17, 2004

passado / incerteza / futuro. 17/09/04

As fotografias sucedem-se a um ritmo
desordenado
O marasmo dos instrumentos deposita-se
na poeira
Interestelar do quarto. No meio
Uma mulher dança furiosamente
É a forma estranha de ela rezar ao fim dos dias.



Leva o tempo que quiseres.
Não stresses quando o eclipse passar por ti
se não o vires, e ele sem te ver
Diz só
por entre todo este Sol
Tudo o que queremos ouvir da tua vida desinteressante.



Espera.
Eles não te amam como eu te amo
Não sei se podes dizer o mesmo
pois já há muito tempo que tento permanecer lúcido.
Acredita.
Eles não te amam como eu te amo.
Espera.
Fala comigo ao longe
sem eu te ouvir.



Nesta essência de confusão toda
Sem um mapa nunca sairemos daqui.

quinta-feira, setembro 16, 2004

(primeiro post que é post)

Boa noite às pessoas que passam.
Às que ficam desejo-lhes uns próximos momentos agradáveis:

Se eternamente estivesse à janela a ver as gentes desalinhadas diria que compreendia o isolamento. Mas não. A serenidade talhou-me o pensamento. O tédio moldou-me os músculos à sua medida e dou comigo a bombear directamente para as zonas essenciais (todas elas) o sangue que me resta e que teima em secar. Os últimos pedaços de realidade que me restam insisto em gastá-los como se de um cigarro se tratassem. Lentamente, digo. E penso: como? se isso é tudo o que me resta…
Julgo que sempre tratei a monotonia por tu, como se desde sempre tivesse errado no que queria fazer ou dizer e mais ninguém me pudesse compreender devidamente. Sempre aprendi que quanto menos fazemos menor é a probabilidade de errar. Como tal, tenho como máxima: ter medo. E eu tenho-o e digo alto e bom som, com a pouca coragem que me resta, para parecer um pouco mais convicto do que digo – talvez possa assim evitar perguntas mais constrangedoras noutra altura que não esta. De resto, tem sido terrível tudo o que tenho feito, desde manhã ao acordar até à noite, quando desmaio. Ainda há pouco, quando me surgiu a ideia de que devia vir aqui escrever, só consegui pensar em tudo o que pode correr mal, desde a falta de ideias até à falta de capacidade. Serei por isso incapacitado?
(Vem-me à cabeça a imagem de uma imensa multidão a levantar-se e a responder em uníssono: sim!)
Mas não.
Que raios. Como poderia sê-lo? Agora também já tenho um blog…
(Pedro)

terça-feira, setembro 14, 2004

será que não dá para mudar de tópicos de posts...?

A Vânia já não é a primeira pessoa que diz que escrevo de forma complicada, talvez demasiado. Bem isso é verdade, e por um lado – paciência. A verdade é que gosto de escrever assim, embora saiba que posso modificar por completo o meu estilo de escrita, se o quiser, para algo bem mais simples. Não o faço porque não me dá gozo. Esta palavra é para ser lida em itálico. Existe aqui um ênfase…não só na própria palavra, como no sentimento em si. Há uns dias atrás, uma pessoa que absolutamente adoro, pelo menos, por enquanto…disse-me algo do género. Estive a ler o que me mandaste, e, bem, de facto tinhas razão estavam lá partes super super maradas, que só me faziam perguntar, Mas onde estava este miúdo com a cabeça…? Existiram partes em que tive de voltar atrás porque perdi o fio condutor, e precisei de pegar nele outra vez com calma.
E eu disse-lhe. Certo. Mas apesar de tudo isso, a leitura era maçadora?
E ela disse, Não não, a leitura era até muito interessante, mas existiram alturas em que pura e simplesmente me perdi.
E eu disse-lhe. Esse foi o melhor elogio que podias ter feito, que te perdeste e que era super complicado. Acredita.
Olhou para mim com ar inquisidor e deixou que fosse eu a falar o resto.
Esta é a única explicação que possuo, não vale a pena fazerem-se mistérios estúpidos. Escrevo assim porque me dá gozo, escrevo assim porque sinto que a conceptualização descritiva pode ser muito mais interessante enquanto se lê, e até enquanto se observa o desenho do texto no papel, do que descrições simplistas, análises simplistas e realistas, do género…
(começo de um livro)
a noite estava fria.
Os pássaros grasnavam um pouco, o ar estava húmido. Na rua não sei quê, sozinho, jhon doe fumava pacientemente o seu cigarro enquanto aguardava notícias.
Etc etc etc---
Haverá maior merda que esta, enquanto escrita? Um livro lê-se para também se ver algo de novo, para nos surpreender, não para digamos –
Enquanto que a fotografia é um tipo de ferramenta que foi criada inicialmente para desconceptualizar o espaço, que dantes era inevitavelmente conceptualizado em pinturas porque o retrato não correspondia ao real absoluto, (mesmo que agora a fotografia também já tenha um cunho, uma vertente, artística), o livro foi primeiro criado, a escrita, para documentar, e ao desenvolver-se a escrita, sendo o exemplo mais gritante a poesia, o papel da escrita tornou-se, mais uma vez mais na poesia, apresentar um mundo ao leitor diferente do real, ou seja, uma mistificação, um quadro até distorcido propositadamente, do real. A poesia foi-se tornando cada vez mais abstracta, e os escritores deste século perceberam cada vez mais (os verdadeiros escritores) que podiam-se perfeitamente destruir os tabus existentes na escrita até então, subvertendo aquilo que quisessem no que escreviam, porque tinham a liberdade, no papel, de escrever aquilo que bem quisessem, mesmo que não fizesse sentido. Veja-se a escrita dádá, ou, num plano menos radical, a escrita surrealista.
Resumindo, também acho interessante descortinar o que cada escritor quer dizer quando aparentemente não está a fazer sentido na sua narrativa, e interessa-me isso também na minha própria escrita. But then again, quem sou eu para falar, não escrevo há dias, ando muito preguiçoso. Vânia, obrigado por me teres dado assunto de escrita para mais um post, isto não é falta de imaginação, é na verdade – falta de paciência.
Até sempre.
(João.)

sábado, setembro 11, 2004

quem és eu

O amanhã vem amanhã com tanta lentidão mas com uma força tão inexorável que até dói. - digamos que eu. Ainda na mesma…quem então amanhã à noite serei? Espero ser mais, espero ter mais. Espero… sei o que quero, sei que não o quero explicar, detalhadamente, aqui.
É engraçado. A luz irradia com tanta força que não posso estar ao pé de ti.
Que diria o meu amigo…? My beautiful friend, como diria Jeff Buckley, nas últimas semanas antes de morrer, a cantar numa casa vazia. Pergunto-me, sabendo a resposta, se já se terá sentido assim, flutuando nesta situação semi-mística.
O que me continua a irritar é o facto de nem tudo depender de mim. Ou de nem tudo aqui fazer sentido. As luzes estroboscópicas, aliás não mentem - este é um mundo de fagulhas povoado por imagens periclitantes, e intermitentes, de seres humanos. Mas talvez seja em ti que eu procuro o mais real e aquela sanidade que eu me lembro de ter, quando acreditava que a melhor droga era uma emoção forte, vida ao máximo. Uns vêm filmes de terror para alimentar o medo, outros ainda engolem coragem em doses industriais saltando de sítios altos. Eu alimento-me, o meu ser alimenta-se, do fascínio e do amor. Quando me devoram eu torno-me nessas mesmas sensações, como se fosse na verdade, não uma pessoa, mas já um elemento, um instrumento. Não vale a pena desenvolver isto, é desenvolver o sentimento, e o fascínio da sua descoberta deve permanecer inalterado. Torna-se.
Tudo tão simples.
Eis então que ela surge - ela. E poderia ser uma mulher. Mas não é, ou é a imagem dela nela mesma do que eu falo. De quem eu falo espelhada nela mesma. Novamente… não que seja a primeira vez, mas ela faz-me perguntar, quem és tu. Pergunta ridícula. Eu sei melhor do que ninguém, óbvio, a resposta. Completamente. O que me intriga é saber que a pergunta não me vai ser feita agora, mas só em momentos-chave da minha vida, e então, nesse meu presente, eu ainda não sei a resposta. Quem serei eu? É essa a dúvida que me tem assaltado. O crescendo infinito numa melodia sempre a ser trabalhada. Ou o sorriso de escárnio na face da mona lisa. Ou a mão dentro do peito de Napoleão. Eu posso ser todo esse mistério. Eu sinto-o em mim, eu sei-o em mim como a verdade simples inerente em mim mesmo: não importa saber a minha resposta, importa saber a pergunta que coloco. A mim e a todos os outros.
No entanto. Contigo, esqueço-me de tudo isso, sinto-me sempre simplesmente humano…
Sem me aperceber que estamos a criar um novo segredo.Quando estou contigo, não sei quem sou, mas sei o que quero ser.
O amanhã, sinto-o. Demasiado perto.
O futuro à minha frente, grande demais.
Sempre.
Grande demais.

quinta-feira, setembro 09, 2004

uma estreia, creio

Decidi começar algo novo. aqui. ou onde me for permitido. não sei ao certo como se começa algo assim, se basta escrever se basta falar se basta fazer rir se basta cantar se basta…se basta. não sei. sei apenas que tenho um péssimo jeito para inventar do nada o que quer que seja que me possa servir de desculpa para gastar alguns minutos, como diria alguém, a “tentar criar algo” (péssimo não por não conseguir, mas apenas porque consigo sempre, mas poucas vezes o que quero).
Não sei.
Falho sempre nestas alturas.Falho – parece-me simples…falho.
Mas adiante:
meu nome é P. algo concreto, quase palpável, pouco importa. quero apenas dizer-vos olá e lamentar se de futuro, nunca chegar a tocar-vos os corações, também pouco me importará…não é maldade ou algo que o valha, é que tenho passado demasiado tempo calado para continuar a fazê-lo. e espero doravante falhar todas as tentativas de ficar em silêncio.
Até breve,
obrigado.

quarta-feira, setembro 08, 2004

bandalho precisa-se.

tinha escrito aqui um post enorme a saudar, insultando ao mesmo tempo, a chegada de um maigo meu a este post, que agora é tanto meu quanto dele, mas esta merda encravou, e eu não tinha gravado nada.
resumindo está aqui um bandalho, e vai postar. este blog agora é dele. tinha uns sete parágrafos...! incrível.
bem tenho um gajo novo aqui, talvez o unico, a partir de agora, este blog é dos dois.

bandalho precisa-se.

a partir de hoje este blog não será só meu, mas também de um "amigo" meu. sim porque não o suporto. odeio-o. cheira mal da boca, e tem seis dedos dos pés. há, e roubou-me a password, portanto está aqui...mas, do género: ou seja, ele não é um convidado, apesar de ser um triste: não, este blog a partir de hoje também é dele, tanto dele quanto meu, apesar de, obviamente, já saber que toida a genialidade existente aqui, superiror ao maior poeta escritor deste mundo foi irremediavelmente posta em causa por um bandalho. ele chama-se pedro, e, como eu, tem a liberdade para falar sobre o que quiser, não tem padrão definido.
de resto...bem vindo, amigo.

desbravamento (prospecção)


Outro mundo de caracteres insípidos
onde os símbolos
reinam
para lá do nosso Polvilhado de néons
quentes e açucarados, Rajadas
de vento dos
metros
Que lembram vomitando
pessoas em miniatura, Ar
azul saturado de metano e
Ozono artificial
E aço inoxidável e plástico
E papel e borracha
Por toda a parte…



Se quisermos O Mundo
é-se abstracto




Um mundo verdadeiro totalmente
plano
Povoado por vozes
autênticas. !Elas
São talvez a única coisa que existe
(em cristal em cristal em cristal)
Por baixo de um céu
roxo rosa e amarelo
Fissuras
escorrendo pelo chão estendem-se
de vidro como feridas
E gritam
Até
(A) o ponto instável
Puro da explosão
Sónica, Palavras berros ou
Canções
distorcidas
Que porventura ninguém perceberá…




Um mundo repleto de algoritmos metafóricos
Cravados nas sombras dos raios
de luz
Cinzenta
Onde
Eu sou o rei

terça-feira, setembro 07, 2004

conceptualizações.

Apetece-me a conceptualização.
Perguntas dadas às respostas formuladas: é então, isto? É então só isto. Sito é a génese da poesia. Mas como explicar o meu fascínio pela conceptualização? Quem me dera saber, ou já o soube, já o escrevi algures. Quero falar dos murmúrios ditos entre os beijos que não são dados, aqueles raros rasgos de lucidez que nos são dados quando dançamos sem pensar numa discoteca, quero. E corar perante as fotos demasiado sorridentes. Murmúrios que são ditos com o som de um furacão. Não se percebem na mesma; é antes o meu próprio controlo perante essas mesmas fotos. Porque já admiti que ninguém é humano a não ser eu…e, claro, cresci para perceber o quanto estava errado. O perdão nasce daí, sabermo-nos capazes de ser iguais a qualquer pessoa, um suspiro – talvez outro murmúrio, quando chamas o meu nome e não o sei. Mudemos de imagem.
Whisper me your number; I’ll call you up at home. Don’t worry, I’m not looking at you…gorgeous, dressed in blue.
Esta melodia prolonga-se como um saxofone. A vida é um ensaio de jazz bebop.

quarta-feira, setembro 01, 2004

Parece que é o fim do mundo.
: existe uma diferença. A morte então de algo não existente, o fedor de toda a nossa animalidade a pairar no ar enquanto se chora ácido, saboreias o sal, não te percas nesta viagem afrodisíaca.
Pedem-me, no entanto, para ficar. E porque deveria. As pessoas consideram-me estranho…porque é que já não basta dizer que tudo, acabou. Como o fim do mundo para nós. Não existe nada sublime aqui. A lança de cabo partido é chamada mais uma vez às nossas mentes para recolher a sua parte. Busco-te, procuro-te nela como se nada fosse abstracto…como um telefonema que ficou a meio. Então, porquê as metáforas. Porquê as redundâncias, a benignidade nojenta que sempre me fez vomitar de todos os homens com a camisa metida para dentro das calças. Não sou pai nem marido, estou só comigo mesmo. Assim a futilidade não me persegue com tanta velocidade.
; ou anteriormente à tentativa possível. Mas eu vi-o, eu conheci-o tal como o conheci. Ou a ela…não - não precisam de me dizer nada, existe um grande ridículo nisso. Dogmas da vida, eu procurei um dia essa fuga na própria morte. Mas; porquê, para quê, onde encontrar os restos daqueles perdidos resquícios de genialidade social e comportamental que, um dia, todos tivemos. Um gesto violento na mesa de maquilhagem. O agredir brutal a um ladrão., a sua atitude tão complacente. Cuspir na cara de um padre, o riso ácido. Nada deste foi ele. Existe algo muito de inglório em tudo isso. Porquê não deixá-lo partir? Esses discursos são tão úteis como uma bala no peito. Doem e não servem para nada, mesmo cravada, mesmo talvez carregados, suados, de verdade amistosa e conformada. Comum.
- Entre as coisas principais.
Adeus amigo. Para mim serás sempre, graças a deus, aquela parte de má pessoa que nos dias fatais e carregados de lágrimas ninguém quer relembrar.