será que não dá para mudar de tópicos de posts...?
A Vânia já não é a primeira pessoa que diz que escrevo de forma complicada, talvez demasiado. Bem isso é verdade, e por um lado – paciência. A verdade é que gosto de escrever assim, embora saiba que posso modificar por completo o meu estilo de escrita, se o quiser, para algo bem mais simples. Não o faço porque não me dá gozo. Esta palavra é para ser lida em itálico. Existe aqui um ênfase…não só na própria palavra, como no sentimento em si. Há uns dias atrás, uma pessoa que absolutamente adoro, pelo menos, por enquanto…disse-me algo do género. Estive a ler o que me mandaste, e, bem, de facto tinhas razão estavam lá partes super super maradas, que só me faziam perguntar, Mas onde estava este miúdo com a cabeça…? Existiram partes em que tive de voltar atrás porque perdi o fio condutor, e precisei de pegar nele outra vez com calma.
E eu disse-lhe. Certo. Mas apesar de tudo isso, a leitura era maçadora?
E ela disse, Não não, a leitura era até muito interessante, mas existiram alturas em que pura e simplesmente me perdi.
E eu disse-lhe. Esse foi o melhor elogio que podias ter feito, que te perdeste e que era super complicado. Acredita.
Olhou para mim com ar inquisidor e deixou que fosse eu a falar o resto.
Esta é a única explicação que possuo, não vale a pena fazerem-se mistérios estúpidos. Escrevo assim porque me dá gozo, escrevo assim porque sinto que a conceptualização descritiva pode ser muito mais interessante enquanto se lê, e até enquanto se observa o desenho do texto no papel, do que descrições simplistas, análises simplistas e realistas, do género…
(começo de um livro)
a noite estava fria.
Os pássaros grasnavam um pouco, o ar estava húmido. Na rua não sei quê, sozinho, jhon doe fumava pacientemente o seu cigarro enquanto aguardava notícias.
Etc etc etc---
Haverá maior merda que esta, enquanto escrita? Um livro lê-se para também se ver algo de novo, para nos surpreender, não para digamos –
Enquanto que a fotografia é um tipo de ferramenta que foi criada inicialmente para desconceptualizar o espaço, que dantes era inevitavelmente conceptualizado em pinturas porque o retrato não correspondia ao real absoluto, (mesmo que agora a fotografia também já tenha um cunho, uma vertente, artística), o livro foi primeiro criado, a escrita, para documentar, e ao desenvolver-se a escrita, sendo o exemplo mais gritante a poesia, o papel da escrita tornou-se, mais uma vez mais na poesia, apresentar um mundo ao leitor diferente do real, ou seja, uma mistificação, um quadro até distorcido propositadamente, do real. A poesia foi-se tornando cada vez mais abstracta, e os escritores deste século perceberam cada vez mais (os verdadeiros escritores) que podiam-se perfeitamente destruir os tabus existentes na escrita até então, subvertendo aquilo que quisessem no que escreviam, porque tinham a liberdade, no papel, de escrever aquilo que bem quisessem, mesmo que não fizesse sentido. Veja-se a escrita dádá, ou, num plano menos radical, a escrita surrealista.
Resumindo, também acho interessante descortinar o que cada escritor quer dizer quando aparentemente não está a fazer sentido na sua narrativa, e interessa-me isso também na minha própria escrita. But then again, quem sou eu para falar, não escrevo há dias, ando muito preguiçoso. Vânia, obrigado por me teres dado assunto de escrita para mais um post, isto não é falta de imaginação, é na verdade – falta de paciência.
Até sempre.
(João.)

1 Comments:
AAAAAAH pronto joão! este post é teuuuuu, dps leio não me apetece ler agora é mta grande! vá já está! NOIVO CÓCÓ VEM.TEEEEEE
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