sábado, setembro 11, 2004

quem és eu

O amanhã vem amanhã com tanta lentidão mas com uma força tão inexorável que até dói. - digamos que eu. Ainda na mesma…quem então amanhã à noite serei? Espero ser mais, espero ter mais. Espero… sei o que quero, sei que não o quero explicar, detalhadamente, aqui.
É engraçado. A luz irradia com tanta força que não posso estar ao pé de ti.
Que diria o meu amigo…? My beautiful friend, como diria Jeff Buckley, nas últimas semanas antes de morrer, a cantar numa casa vazia. Pergunto-me, sabendo a resposta, se já se terá sentido assim, flutuando nesta situação semi-mística.
O que me continua a irritar é o facto de nem tudo depender de mim. Ou de nem tudo aqui fazer sentido. As luzes estroboscópicas, aliás não mentem - este é um mundo de fagulhas povoado por imagens periclitantes, e intermitentes, de seres humanos. Mas talvez seja em ti que eu procuro o mais real e aquela sanidade que eu me lembro de ter, quando acreditava que a melhor droga era uma emoção forte, vida ao máximo. Uns vêm filmes de terror para alimentar o medo, outros ainda engolem coragem em doses industriais saltando de sítios altos. Eu alimento-me, o meu ser alimenta-se, do fascínio e do amor. Quando me devoram eu torno-me nessas mesmas sensações, como se fosse na verdade, não uma pessoa, mas já um elemento, um instrumento. Não vale a pena desenvolver isto, é desenvolver o sentimento, e o fascínio da sua descoberta deve permanecer inalterado. Torna-se.
Tudo tão simples.
Eis então que ela surge - ela. E poderia ser uma mulher. Mas não é, ou é a imagem dela nela mesma do que eu falo. De quem eu falo espelhada nela mesma. Novamente… não que seja a primeira vez, mas ela faz-me perguntar, quem és tu. Pergunta ridícula. Eu sei melhor do que ninguém, óbvio, a resposta. Completamente. O que me intriga é saber que a pergunta não me vai ser feita agora, mas só em momentos-chave da minha vida, e então, nesse meu presente, eu ainda não sei a resposta. Quem serei eu? É essa a dúvida que me tem assaltado. O crescendo infinito numa melodia sempre a ser trabalhada. Ou o sorriso de escárnio na face da mona lisa. Ou a mão dentro do peito de Napoleão. Eu posso ser todo esse mistério. Eu sinto-o em mim, eu sei-o em mim como a verdade simples inerente em mim mesmo: não importa saber a minha resposta, importa saber a pergunta que coloco. A mim e a todos os outros.
No entanto. Contigo, esqueço-me de tudo isso, sinto-me sempre simplesmente humano…
Sem me aperceber que estamos a criar um novo segredo.Quando estou contigo, não sei quem sou, mas sei o que quero ser.
O amanhã, sinto-o. Demasiado perto.
O futuro à minha frente, grande demais.
Sempre.
Grande demais.

2 Comments:

At 12 de setembro de 2004 às 13:49, Blogger papiro said...

Olá, passei por aqui e não resisti a visitar as tuas últimas palavras, não me esqueci do que disse e sempre que posso venho visitar-te. Espero que as férias tenham sido boas... julgo que devem ter sido, no mínimo inspiradoras, uma vez que a tua escrita continuou a ser fluída e simples, mas no entanto sempre profunda como se fosse um novelo emaranhado, que só quem escreveu sabe o que queria efectivamente dizer e quem lê percebe qual é a ponta que deve puxar para perceber essas palavras.
Li que tens agora também um amigo a escrever... assinem por favor! porque se não torna-se confuso perceber esse mundo das palavras que é sempre diferente, consoante o seu autor.
Beijinhos da Vânia e irei passar por aqui sempre que puder.

 
At 30 de setembro de 2004 às 22:21, Anonymous Anónimo said...

loira ;)
querido joao, mais um grande texto :D :D :D
A forma como descreves o amor é maravilhosa!! inspira qualquer um, ajuda nos talvez a enfrentar as dificuldades das relaçoes com outro carisma. por favor continua a escrever....
It seems you're lost in translation ;)

Admiro te, respeito te, adoro te!**

 

Enviar um comentário

<< Home