Hoje disseram-me, não a este som de Ryan Adams que me repete constantemente que o amor é um inferno, que não sabia fazer absolutamente mais nada a não ser ler e escrever. Nulos, talentos, para outras tarefas que requeressem jeito. Génio, desembaraço. No fundo, sou um pintor que não sabe pintar. Então decidi desenhar palavras.
E as férias que vêm. Eu sinto-me perdido, na verdade. Prometi, a amigos meus, que iria escrever um post. Frases curtas, pontos finais com a força de um murro. Mas… que de facto farei eu a escrever? Escrever valerá a pena…? Tenho pensado muito nisto nestes meus últimos dias. Quero… quero saber se vale a pena, verdadeiramente, escrever. Oferecer como amarga prenda de natal ao meu amigo Pedro, a chefia final deste blog. Remover-me, como se eu fosse um pedaço de mobília velha numa casa demasiado espaçosa mas a necessitar de ser arejada. Procurei sempre a beleza nas palavras, mas é inútil procurar beleza onde ela não existe. Afinal, as palavras são sempre palavras - e se eu escrevia para me manter são, para encontrar a calma e encontrar-me, então admito que me queria perder um pouco, desconhecer-me, não saber o que quero. Talvez assim a vida seja mais fácil de suportar.
Isto talvez pareça demasiado soturno… pergunto-me, mas sem me importar muito… que tipo de imagem de pessoa eu transmitirei às pessoas que aqui vêm ler e que não me conhecem…? Ainda bem, nesse sentido, que são poucas. Vou-me envolvendo neste devaneios e pensamentos, a prosa vai crescendo, mas mastigada sempre com o mesmo cinzentismo de sempre. E este texto não está interessante e ninguém vai lê-lo até ao fim porque não vale a pena. Tanta lucidez às vezes e ainda escrevo… para quê escrever, expliquem, para quê um homem escrever o que quer que seja quando ele já matou e inverteu as palavras expandindo, até, na sua mente, pelo menos, os limites do seu universo. E, ninguém se importando ainda por cima.
Não.
Queria. Tirar umas férias. Aprender…a soltar rasgos de fúria através de uma guitarra eléctrica. Poder exprimir da maneira correcta a minha tristeza e melancolia agora tão saborosas, acreditem… - com a toada triste de um saxofone solitário. Sabem, aquelas melodias tão bonitas que só aparecem nos pedintes cheios de estilo em filmes sobre Nova York, em céus azuis de chuva rítmica.
Até já…
O dia foi violento. As colunas do meu pc estão estragadas. E isto não interessa para ninguém. No entanto, porque sou humano, percebem…? Porque sofro e esta é a melhor maneira de extravasar tudo, porque os sonhos não conseguem ficar presos neste meu horizonte de imagens e filosofias que é a minha mente, escrevo. E porquê…? Não seria bem mais fácil enlouquecer de outra forma, através da sanidade adormecida…?
Alguém me explica o que se está a passar?
Gostaria de dizer, depois de ter cortado os pulsos e visto o meu sangue quase preto a escorrer, hospital com ele rápido, a revelação que a vida é um milagre triste, que estou mais calmo… sim. Mais calmo. Era preciso, não era…? Que espécie de ser esquizofrénico sou eu, que mato pessoas e escrevo pela boca de crianças violadas, em meus poemas…?
Afinal, somos todos monstros. Mas que tipo de monstro sou eu.?
Um dia o Carlos Cruz, há uns anos, queria tentar o suicídio. A notícia apareceu há uns anos num jornal que agora não me recordo. Morte em grande; a pistola estava encostada à têmpora, casa vazia, claro, um homem que é homem deve morrer solitário e sozinho, o suicídio se for feito com estilo pode por uma figura contornável da televisão na história. Um amigo ligou-lhe, por acaso. Não sei que falaram, não sei porque se queria matar. Mas a sua vida de hoje é certamente bem pior do que a de há uns anos. Então, pergunto-me.
A pergunta é óbvia. Não percebo. Juro que queria isto: … não, não vou escrever isto. Chega. Tanta lucidez assusta-me ainda. Porque um
Quando agora inspirei para teclar de novo as ideias cortantes não surgiram de novo. Só as dúvidas. Que texto é este, que texto é este que é todo fruto da minha mente. Quero amar-te devagar, escrevi. Quero também sentir-me devagar, amar a minha vida devagar, sinto sempre, caros leitores meus amigos, que não sou merecedor dela. Precisava de umas mortes na família, precisava que alguém me desse um par de estalos por estar a dizer tantos disparates. Não consigo parar, é óbvio. Ninguém muda assim tão completa e radicalmente, admito que existe também um pequeno, bem escondido… prazer mórbido que leva as pessoas a fazerem esgares com a face quando lêem o que escrevo.
Mas só sei escrever, não é. Sou um diletante, na verdade não sou nada disso. A cena é esta: eu nem sequer isso acho que mereço ser merecedor de tal conotação. Talvez seja da heroína que tomei ontem, a minha primeira viagem a um mundo melhor. Talvez seja das ideias que escorrem como uma cascata pela minha boca, nariz e que me dizem que estou condenado a sobreviver, a existir. A perder, e a levantar-me de novo, fazendo manguitos à vida com a mão esquerda.
Gostava de ter sabido desenhar bem. Pintar umas notas musicais que não soubesse tocar, para complementar as que já soubesse.
O sentido deste texto deve ser visto à luz da criação artística cheeeeia de sono.
Não, ainda não quero acabar a minha reflexão implexo-invertida.
Vibra.
Quero também dizer algo mais. Fronteiras…? Que fronteiras? Existe este medo: meter tudo arrumadinho, quebrar os cânones é entrar nos non-senses que os mestres repudiam por já terem visto a luz que nunca os queimou.
Quero dizer várias coisas. Sou um gajo porreiro. Rio-me muito, leio pouco hoje em dia. Escrever…? Foda-se. Três poemas Sábado, quando os dias ainda eram jovens e eu acreditava em mim mesmo - matar. Nunca. Não quereria na verdade. Sinto-me demasiado bem a imaginar como seria, para ter de escrever sobre isso.
Raiva. Mas certamente. E quero ainda dizer algo belo, que é amo-te. Amo-te imenso, ainda mais nos intervalos das palavras que não digo, é verdade… amo-te mesmo imenso, dói um bocado, mas vale decerto a pena quando estamos juntos. Sei lá, amo-te, percebes…? Parece que a palavra, que nunca soube bem, sabe bem agora, como se fizesse todo o sentido, mesmo depois de ter sido mutilada em milhares de mensagens de telemóvel de betos e juras ditas nos primeiros namoros como se seguisse um protocolo. A palavra parece renascer agora, eu amo-te. Quero estar contigo, fazermos amor sem olhar para o relógio, adormecer depois a teu lado quando estivermos demasiado cansados para nos beijarmos. Amo-te, percebes. …Amo-te e é como se eu tremesse todo, com medo de mim mesmo quando te digo isto, que te amo e porque te amo, como se tu não o soubesses… Mas a verdade é que amo tudo em ti, mesmo que depois me tornes cego com cada beijo que me dês - e eu nunca quis que partisses. A forma como mexes o teu café, como mexes no teu cabelo, como te ris envergonhada, ou como fumas tão discretamente, como se o cigarro fosse apenas uma extensão do teu corpo. Sem qualquer estilo. Estou cansado, meu amor. Tanto, e tanto… queria estar contigo agora, apareceres enquanto escrevo, olhar para ti como se fosse normal de facto estares aqui, comigo, neste momento em que te tenho mas não te sinto. Abraçar a tua cintura, e enterrar a cabeça no teu peito, respirar o teu perfume. Unir os nossos lábios húmidos com o magnetismo de uma prece tantas vezes imolada, pelo menos cada vez que te relembro, cada vez que não te tenho. Dizer amo-te enquanto os nossos corpos se unem (o Inverno pode ser tão pouco condescendente com os amantes…) e deixar, de sentir frio. O meu coração falha batidas, sabes.
…quero dizer. Que te amo. Quero dizer ao ouvido sem ter cabrões a ouvir ou a intrometerem-se entre o nosso amor frágil e belo como as lágrimas de uma pomba branca, de asas partidas, que te amo, amo-te meu amor, é isto… suspirar e deixar os gestos
Espera. Amo-te mesmo fora destas palavras.
Parte três.
Hinos. Hinos são tudo aquilo que eu posso ter querido dizer, ideias gerais… um pedido de desculpas em forma de insulto por ter estado tão longe (o meu gato está agora no meu colo…), tentar perceber porque é que faço o que faço, assomo de vergonha. Amo-te.
Pedido de desculpas.
Hoje deve ter sido o meu dia de sorte. Era algo que gostava de te ter dito, quando te vi. Quero justificar-me, perante a vida. Vender um livro bonito, não muito complicado. Um sapateiro que cuida de uma mongolóide que a mãe deixou e se foi embora, na sua sapataria.
Gostava de beijar-te agora, abraçar-te, ser um bocado um puto novamente, não sei se compreendes. Estou frio esta noite. É pensar…
Acho que a vida me corre bem, cada vez melhor. De dia para dia.
Então, porque é a começo a senti-la tanto quanto uma curva?
Obrigado a todos os que leram. A todos… palmas. Vocês merecem tudo o que eu nunca vos poderei dar.
Definam lá o que isso é, por favor.
Obrigado.