quinta-feira, janeiro 06, 2005

brilhantismos.

Antes de começar estas linhas, disse a amigos meus algo como isto, Tenho de ir escrever, tenho saudades de mim mesmo.
Poses. Como sempre, tenho todos os assuntos do mundo para começar, e nenhum em especial ao mesmo tempo. Digo a todos… apetece-me chorar. Digo… de alegria. Eu sou isto. Eu sou isto e ainda não o tinha percebido. Eu sou toda a soma de todos estes textos, e todos os que ficam por escrever na minha mente torturada, foi preciso tanto, tanto tempo sem escrever para o perceber. apetece-me chorar de alegria, enquanto teclo quase sem pensar rapidamente estas teclas numa orgia quase de sentimento, porque simplesmente me estou de novo a encontrar, finalmente estou a dizer Amo-te com todas as letras completas, finalmente estou a dizer Ser, Quase, Tudo, com todas as letras completas, não deformadas, e se este cenário à noite porque já é noite meu Deus parece de facto improvável, então eu digo que tive testes, tive férias, tive medo de mim mesmo, destreinado, para sempre incapaz de conseguir ressuscitar aquilo que eu considero ser uma sublimação quase perfeita de tudo o que era eu mesmo na génese de tudo isto, decidir tudo – dizer, rangendo, partindo os dentes de raiva, Nunca mais vou escrever. Porque sou fraco. Porque vi nascer abelhas do calor do plasma nas barbas repletas de estrelas cadentes dos velhos com caudas de sereia, é tudo o que peço, um pouco de beleza, morrer afogado no meu próprio amor pela tristeza total, inventar novas palavras para todos os sentimentos que por enquanto são só a merda da porra da filha da puta de um grito mudo que se contorce e se grita em espasmos de música apoteótica que arde e desconforta e queima na nossa cabeça e nos nossos ventríloquos e no nosso corpo como um frio e nos faz querer pegar numa mota e acelerar até ao momento final apoteótico a mais de duzentos à hora contra uma de quente abraço parede de betão ou um salto de uma falésia terrosa em suspiros de vento quente do fim da tarde, correr até as roupas se rasgarem com a liberdade do corpo, conseguir por fim gritar o nome na língua desconhecida que é a nossa, mais do que um orgasmo, mais do que o amor total e permanente, mais do que o desespero da perda de uma mãe pai ou um filho, esse mesmo desespero aliás invertido em total e irreconhecível sentimento, CRIAR! Um poema só conseguindo articular essas palavras, a língua sangrar como um beijo nunca dado ao ar à atmosfera carregada de electricidade da amarelidão ofuscante sem óculos de Sol do Verão, fechar os olhos, pender a cabeça… rir. Meu Deus, rir, ante a total resposta que é este absurdo da vida, perceber tudo. Perceber tudo, pergunto-me se alguém um dia já o sentiu, pergunto-me se alguém já compreendeu o mistério, a questão da vida, se encontrou a resposta como se se transformasse em signo de Zodíaco, se calhar no primeiro orgasmo a dois, no abraço depois desse orgasmo, uma noite quente de gritos e mortes belas como filmes mudos a preto e branco, murmúrios a sépia numa casa abandonada, o nosso antepassado descoberto numa pintura ou fotografia com aquele bigode que nos fez entender que estamos apenas de passagem, somos apenas escuma nas ondas da vida neste mar de incertezas e humanas improbabilidades… efemérides tão belas. que merecem ser partilhadas.
Peço desculpa. era necessário. A apoteose toda, entendem. Ninguém me vai responder, mas era necessário, eu que não escrevia há semanas, cujos poemas (que dossier logo a noite se abrirá para mim? Ir-me-à proporcionar novas viagens?) ainda não renasceram no meu coração, na minha mente que os idealiza mas que não os consegue escrever, eu… e tinha tantas saudades. Escrever rápido, sem pensar, deixar os pensamentos fluir como… como… é ver-te, é ter-te, e eu sinto todos esses, todos estes frémito, escoriações em forma de gadanha na seara verde que é o meu espanto mudo perante ti, perante mim, somos ceifados em nossos corpos porque juntos, porque instrumentos criados um para o outro, eu quero, eu queria e tinha tantas saudades…
De fazer.
Esta dança.
Escrevi que me queria encontrar. A prosa.
A poesia.
São e serão somente sempre isso.
Sempre isso. Não vale a pena negar. É um alívio. Uma descarga eléctrica, bioquímica, como quiserem, que me faz sentir mais do que um animal e por vezes certamente mais do que um humano. Que me faz renegar o homo vulgaris. Que cresce com a força de uma explosão nuclear quando os nossos lábios se tocam por exemplo depois de milénios de lutas e histórias e quedas de impérios vistos, contados e presenciados em mim a cada pessoa que observo e não és tu. Espelhos de reflexos aguados nesta face faiscante de Sol real que nos torna subliminares em relação a nós mesmos – todos estes novos sentimentos; será a minha doutrina? Inventar palavras novas para tudo o que sente?
Se for.
Morrerei cumprindo de bom grado, até ao fim dos meus dias.
Tal missão.
Obrigado. Já tinha tantas saudades. Obrigado por lerem. Obrigado por fazerem os meus textos existirem, quando lêem. Obrigado por todas as críticas.
Obrigado.
Por tudo, afinal.

4 Comments:

At 7 de janeiro de 2005 às 00:30, Blogger Nuno said...

Assim sim! Este é o João k eu conheço. O verdadeiro João. Welcome e faz posts frequentes, que certamente serão um deleite para os nossos olhos mortais.

Bem-vindo filho pródigo =D

Abraços

 
At 7 de janeiro de 2005 às 18:36, Blogger papiro said...

Bem vindo, caro amigo João...
Já sentia saudade de ler as tuas palavras sempre tão rebeldes e no entanto tão cheias de esperança e de vontade de um mundo melhor. Todos os teus leitores assiduos, como eu, sentiram muito a tua falta. Não deixes de escrever, pois é verdadeiramente um deleite ler as tuas palavras.
"...o nosso antepassado descoberto numa pintura ou fotografia com aquele bigode que nos fez entender que estamos apenas de passagem, somos apenas escuma nas ondas da vida neste mar de incertezas e humanas improbabilidades… efemérides tão belas. que merecem ser partilhadas."
Sem dúvida nenhuma uma das frases mais brilhantes, para mim, pura leitora, que já li no teu blog; simplesmente genial.

Muitos beijinhos da Vânia.

 
At 7 de janeiro de 2005 às 19:52, Anonymous Anónimo said...

um retorno inesperado. em força. obrigado por teres acordardo e por seres novamente uma surpresa. não que achase que ja tinhas dado tudo o que poderias dar, mas sei que o passar dos dias eventualmente não te será tão adverso. serás, um dia, nova e inexplicavelmente brilhante. um gigante adormecido, um adamastor faminto por novas sensaçoes. e eu estarei por cá, humildemente observando, talhando cada instante sabendo que tu, meu amigo, caro escritor...João. não te perderás.
Brilhantismos - . - é importante perceber quem somos.

Pedro.

 
At 7 de janeiro de 2005 às 23:32, Anonymous Anónimo said...

ohh... gostei sobretudo da parte final... afinal tb nós gostamos de ler o que postas aqui. Como n tenho jeitinho nenhum p comentários :( só te posso dizer uma coisita: CONTINUA

F.

 

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