sexta-feira, dezembro 10, 2004

calhambeque - [Ankh Aton é o profeta dos nossos tempos]

VRRRRUUUUUUUMMMMMMM lá vem o poeta, louco, destemido, que grita sem piedade: EU SOU O MELHOR NAQUILO QUE FAÇO (realce-se as maiúsculas...ensinaram-me em tempos que todo o pequeno ser sente necessidade de enfatizar as suas certezas).
A multidão delira, inebriada pela irreverência do ferrari poético que se aproxima.
Pára um pouco, o tal poeta. Sofre uma brutal crise de inspiração...baixa as calças e recita.

Sou poeta
eu cá não sou rabeta
repito-o a toda a hora
para não o pensarem sem demora


[Ankh Aton é o profeta dos nossos tempos]

Eu não conto a ninguém – a verdade é que hoje descobri a luz...veio de um jovem em crise de supra identidade, ou seja, tem tanta certeza sobre quem é, sobre o que é que faz, que acredita do fundo de si mesmo que já não tem nada a aprender. Pois bem, meu rapaz, tenho a tua idade e um pouco mais de ousadia, portanto vim aqui hoje dar-te uma pequena lição (é terrível, mais um “professor” a querer assombrar-te), não de carácter, descansa, em primeiro lugar, lembra-te de que o meu nome é pedro, caso sintas necessidade de fazer algumas das tuas brilhantes rimas dedicadas a mim, por favor faz isso... e sim, vamos delirar os dois, faço-te hoje, aqui e agora, a proposta, seremos tão felizes os dois juntos. Tu a mandar, eu(e todo um mundo) a obedecer. Sabemos bem que é assim que tu gostas das coisas, não é...?
Em primeiro lugar, vamos por partes. Já fiz uma passagem pelo teu blog, gosto de aprender com as pequenas coisas. E agora sim, porque sei que és infantil ao ponto de achares que não o és, porque sei que depois de ter conhecido através das tuas...hum, digamos, “palavras” terei mais uma história para contar aos meus netos sobre o tempo em que atravessei países à procura de personagens para o livro: “Aberrações e afins – um manual para todos aqueles que SÃO DOS MELHORES NAQUILO QUE FAZEM”. Ou nem tanto. Sei que gostas de atenção...todas as crianças gostam, principalmente as mais...espevitadas. Oh sim, meu caro amigo, confesso, foste tu quem me deu o meu maior orgasmo de comicidade até hoje. Mas já me arrependo, apercebi-me de que a arte do teu escárnio não advém do que dizes, nem de quem és, mas sim de toda a personagem artística que, consciente ou inconscientemente, decidiste criar. Um pouco com aquele outro...um tal de Castel Branco – e digo isto sem querer apropriar-me de todo carácter cómico inerente à simples referência de tal ser, nem o poderia fazer, pelo amor de deus, afinal de contas, já vão em quase dez os minutos do meu precioso tempo dedicados a...coisas, como tu, caro blogger.

[Ankh Aton é o profeta dos nossos tempos]

Mas sejamos um pouco sérios, por instantes, embora pareça difícil. Disseste no teu blog Se calhar, e muito provávelmente, não sabes quem sou./Não imaginas as merdas porque passei, não sabes o que eu vivo.../Como podes tu avaliar aquilo que eu sinto?/Ou aquilo que eu escrevo?

Eu podia ser mesquinho e fazer das tuas minhas palavras e o mundo seria logo mais bonito e justo porque toda a gente respeitaria as outras pessoas. Mas não. Sabemos bem que não é assim. A verdade é que pouco me importa aquilo por que passaste. Aprendi ao longo dos tempos que as melhores pessoas que passaram pelos piores momentos não sentem a necessidade de se vitimizar. Quanto a ti, lamento. Apenas isso. Passas os dias a chafurdar na tua própria noção do que é bom e deixa de ser. E pronto, ficaste por algo relativo: és o melhor. Eu limito-me a prestar-te tributo, és grande, tás lá e tal, tudo isso. Sabemos bem que gostas de o ouvir.

[Ankh Aton é o profeta dos nossos tempos]

Continuem a prestar atenção às mensagens subliminares. Quanto a ti joão, tenho que ser honesto contigo...foste, em parte, ingénuo ao ponto de pensar que este jovem imberbe teria a maturidade emocional para assimilar uma crítica. Negativa, por certo, mas construtiva. Não te preocupes, terás outras oportunidades, por certo mais aliciantes. Mas pronto.

Uma pequeno reparo, meu caro Ankh Aton, não penses que te criticam por maldade ou gozo...a verdade é que mete um pouco de pena esse teu complexo de superioridade absoluta. E não, não entres na simples critica do “ah o joão não se consegue defender sozinho e tal” (se tens o mínimo de intelecto certamente já terás percebido o contrário), ou então nas que tu gostas bastante de índole sexual e tudo o mais.
Divertes-me a sério. Conseguiste, com primazia o teu tão almejado objectivo. Mas olha, tenho de ir, lamento se não consegues lidar com o que se faz neste blog com humildade e imparcialidade. Sabemos bem que teríamos todo o gosto, tanto eu como o joão, de o fazer em relação ao que tentas transmitir...embora não facilites.

[Ankh Aton é o profeta dos nossos tempos]



(Pedro)

2 Comments:

At 10 de dezembro de 2004 às 23:02, Anonymous Anónimo said...

oix, esse ank deve de ser muito importante para ti para te dares a um trabalho tão grande a fazer isto, julgava-te superior a pessoas como ele, mas ao lhe responderes mostraste que és igual a ele desiludiste-me imenso, especialmente depois dos teus outros artigos.

 
At 11 de dezembro de 2004 às 02:22, Anonymous Anónimo said...

Tanto ouvi falar dum certo blog que decidi investigar...compreendo o que o jovem está a tentar fazer e de certo modo até que é de louvar, tentar criar qualquer coisa nova e tal...o pior é que já se escrevem coisas assim ha muito! enfim...a idade da inocência não perdoa e depois ha cenas destas, insultos poéticos, onde é que já se viu tal coisa? Pedro estiveste bem aplaudo o teu esforço de tentar não descer ao nível do...(________)<--inserir nome. De resto só posso dizer que acho o blog bacano e que tanto tu como o João são óptimos escritores, poetas...ou lá como vocês se auto-denominam. parabéns!

-Baodegoth-

 

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