A casa de roxo
(Há uma música de Jimi Hendrix chamada “Red house”, um dos mais sinceros e interessantes exercícios de blues que se ouviu de Jimi. Acerca dos blues, disse um dia “The blues are easy to play, but not too feel”. Talvez isso explique em parte o alcance da sua música. Quanto a este poema da minha autoria, fi-lo a ouvir esta mesma música, e embora as palavras pouco tenham a ver com o que é cantado, confesso que o escrevi a tentar transmitir os sentimentos um pouco díspares que esta música me trazia à memória naquele instante. “A casa roxa” tem este titulo, em parte, como simples tributo, embora subtil e dúbio, àquele que foi o criador de “Purple Haze”, que convenhamos, trata-se de muito provavelmente do sucesso deste artista que sofre maior influência de LSD e afins. Nada de perverso. Sejamos honestos, por vezes a arte, em jeito de criação, tem todo o direito de jogar no limite com os sentidos. Jimi Hendrix fê-lo na perfeição - juntamente com os seus dedos milagrosos que faziam chorar a mais dura das guitarras. Sem mais demora, passemos à leitura. Obrigado.)
Há uma casa que se veste de roxo
na esquina que controla a tua vida.
Ali -
onde os teus antepassados cresceram,
onde se fizeram homens e mulheres.
É tarde,
Já não vês as crianças a brincar
mas sabes que existem
que ainda há alguém a sorrir e
A brincar.
Sabes que já foste como elas
que já foste até
como aqueles homens e mulheres.
Tornaste-te um anjo?
Sei que ganhaste asas e voaste
mas não vejo auréola nenhuma,
mas também é verdade
que os anjos só têm asas.
Sei porque partiste.
Só não me lembro
por que razão te vi partir.
Porque te vi partir -
e embora os anos tenham passado
sei que voltarás a casa...
à casa que se veste de roxo.
(Pedro)

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