quarta-feira, novembro 17, 2004

louco. .?

Gostava de falar aqui uma coisa que poderá não fazer sentido. Hoje sonhei em matar um homem, e violá-lo com uma matraca enfiada pelo cu acima, delírios de dor orgásmica ante uma raiva minha completamente cabalística.
Calma. Não sou um louco.
Antes de mais queria agradecer a todos os que nos têm apoiado, a mim e ao Pedro, nesta viagem sem retorno que nunca será devidamente apreciada a não ser por nós mesmos. Ouço Josh Rouse. O momento parece perfeito para uma confissão.
Dizem coisas fantásticas sobre nós, nossos amigos, talvez pessoas que nos respeitam também enquanto pessoas. Os comentários são até muitas vezes exagerados… talvez seja a nossa peculiar maneira de lidar com a crítica.
Por exemplo, todos consideraram o texto "apeteceu-me chorar" uma obra prima, uma coisa fora de série. Não é, nem remotamente. Foi escrito num jacto, e apesar de valer o que vale, tem falhas gravíssimas que eu, como digamos escritor de meus próprios textos, considero obscenas e inadmissíveis quando releio os meus textos: conceitos e atributos repetiam-se por vezes quase na mesma frase, algumas ideias estão confusas, outras poderiam perfeitamente ter sido desenvolvidas, ficando apenas no ar uma ideia chocha que já nunca mais poderei repetir. Bem… era isso que queria dizer. Obrigado pelo voto de confiança, mas ás vezes acho que não merecia sequer gostarem tanto destas coisas. São… efemérides, talvez.
Não é um sonho: será decerto, eu sei. Tem de ser; entenda-se, uma realidade.? Sem dúvida. E porquê? Quem caralho sou eu? Quero rasgar a minha pele, ser outra pessoa por outros momentos, poder matar. Respirar de alívio, beijar o corpo ainda quente, sentir que acabara de realizar um ritual.
Estarei doido. Não. É simples o procedimento na verdade. Os amigos para assustarem, o terror, o sentir o coração frio. Despe-te meu cabrão. Já.
(antes era necessário uma explicação. Como, se eu próprio precisaria de uma. Às vezes sinto-me, ou seja, como se tudo estivesse a passar depressa demais por mim, como se fosse menos homem, vejo tudo a passar como uma dor estranha de costas. É angustiante. A pontuação, quer ela esteja lá ou não, parece-me forçada, tento encontrar uma linguagem perfeita em que uma frase, signifique na verdade somente uma frase. Mas sou feliz demais no dia-a-dia, precisava da tristeza sábia dos escritores, das tardes sozinhas com pensamentos entre o trabalho de escritório. Morrer alcoólico. Termóstato.
Outra coisa, o custar, regressar. O voltar para, o sentir-te em, mim. Percebes. Não faria nada. Sou tão sádico, entendes. Só queria amar-te por isso, deixar que as tuas mãos passassem pelo meu corpo e eu me quisesse somente ali.
Não pensar em mortes, ou perdas, ou trabalhos, ou violações. Obliterar os problemas numa tarde, ou noite, de amor, ou sexo, ou algo intermédio.
Ouve. Quero explicar-te uma coisa, eu quero ser de facto um assassino, e não estou a brincar, esta não é uma história ou uma prosa inventada, e quem de facto acreditar nesta verdade não saberá o que por nos comments; preciso, de matar percebes? Ou ser sádico e não sequer matá-lo, mas eu não quero falar sobre isto. Quero chorar toda a minha frustração, traduzida num murro salgado na tromba de um insecto gigante, rasgar-lhe a boca, rasgar-lhe a boca é preciso, poderias pedir-me para ser menos homem nessa altura…? Eu quero. Quero procurar-te no fim, deixar que me esbofeteies, e sentar-me no chão como se esse fosse então o meu trono. Juro. Palavra de honra.
Depois
Talvez me lembrasse dos dias agnósticos
Em que aquela impressão que tinha na garganta com sabor a sangue
Fosse a anunciação da minha vitória malfadada