Poema A Meu Filho.
Juntámos o que restava da nossa vida juntos,
Na noite.
Parecia impossível; quem imaginaria
Que nunca mais sentiríamos a luz dos prismas
Roxos e baços, no nosso apartamento sem janelas.
Olhámo-nos: era tão pouco
Os objectos – agora tão imutáveis
Já há muito que não proferíamos palavras
Senti o teu desespero quando te levantaste para um cigarro
O meu desespero era bem mais sonolento e calmo.
Como poderíamos salvar o nosso filho.
Era tão impossível, estávamos tão sós.
Eu desistira do curso para actuar e escrever livros
Tu andavas por aí como decoradora de interiores
Quem imaginaria que as coisas nesse ramo andariam tão baixo
Os nossos amigos vieram cá a casa
Choraram connosco
Nenhum deles rico o suficiente; quase nenhum deles amigo o suficiente
E tu odiava-los por isso
Ficando horas e horas a velar o nosso filho.
Que altura tão perfeita para deixar de fumar
Encostava-me à parede, derrotado
Levem a televisão, a partir de hoje não precisaremos dela
E podemos lavar as roupas e a loiça à mão
De qualquer modo o antigo pode ser que esteja de novo na moda...
Tudo parecia tão pouco para nos salvarmos
Não tinha feito o suficiente; não tinha trabalhado o suficiente
Para ti
Ordenei poemas que nunca pensara em publicar
E eles disseram, Se tiveres sorte até pode ser que te safes e isto seja aceite.
A única coisa que não parava era o tempo
E olhava-te todos os dias e em mim aumentava o meu desespero
E um dia disse-te, derrotado
Não é possível, querida.
Não podemos salvá-lo.
Olhámos em redor e para as paredes nuas
Os móveis e os aparelhos eléctricos, para onde foram?
O que restava em nós era só um vazio
Um grande vazio em nós e nele…
Lembro-me que chorámos.
Até ao amanhecer.
Adeus, filho.
(08/03/04)

4 Comments:
oh david!isto e' tao bunito. aserio.
fikei msm sem palavras.
epa. amei msm. e' tao triste e tao bunito.
epa.. nao sei o k dizer +..
ta msm bunito!!!
:D
beijao grande, lindo.
epá man tá excelente se não te importas vou copiá-lo e entregar á minha stora LOLOL(ui que grande golpe oh oh)escreve mais uns quantos assim e talvez me leves prá cama daqui a uns tempos.
lololol
um abraço do teu amor(não te importas pois não?acho que já não há mais nada a esconder!)
Fatito
pois é, está porreiro o poema. pareces um velho a falar, mas está bonito e envolvente. gostei.
Abraços
Ricardo
Oohh está tão girooooooooo :,)
Tão triste, tão...tão à joão. hihiihihhihihhihiihih
aweeeeeeeeeeeeeeeeee ********
Tchiquinha Cagona
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