primeiros dias.
Bem, pessoal, cá estamos de volta, cá estou eu de volta, porque pôr poemas que escrevemos há uns meses não é bem um regresso… mesmo assim. Ouço uma música calminha, do falecido cantor Elliot Smith, cujo trabalho desconheço ainda. Sei lá, deu-me agora vontade de escrever, ao invés de desligar o pc. Não existe sequer uma ideia, apenas uma vontade.
Está tudo bem e estável, pelas nossas vidas. O Pedro poderá falar melhor dele, mas acho que ontem, numa conversa num café por aqui perto, entre um dia de chuva violento, pareceu-me pela conversa dele e das histórias que contou que se estava a sair muito bem… melhor do que eu é apenas uma forma de ver as coisas. Sim, melhor do que eu, embora isso não me afecte, só me alegre por ele.
O tempo tem estado horrível, será essa beleza tão estranha que me põe assim? Pode ser que sim… quem sabe. Isso, e o facto de ser tão complicado habituar-me à vida académica.
Digo – hehe. Os caloiros são na sua maioria uma merda. Mas espera, hoje conheci dois… dois caloiros novos, hum? Que me dizem a isto. E conheço uma caloira pelo olhar cujas sobrancelhas de ambos se arqueiam cada vez que se torna demasiado óbvio que estamos a olhar um para o outro. Três pessoas da outra turma… ainda o sentimento de me sentir sozinho. Mas é estranho: - quando estou nos corredores não me sinto desconfortável, nem mal, sinto-me absolutamente normal. Bem, até. Afinal, aquele vai ser o meu meio, já o é. Só me sinto meio sozinho, meio nostálgico, quando estou aqui, em casa, sem nada para fazer, porque as cinco tardes livres às vezes podem queimar tanto, ou significar nada. E as saudades das outras pessoas que não vejo, que também deixei no secundário, ou somente no meu coração. Falar de amor e amizade cansa.
Voltar então para casa torna-se um erro. Sim, é certo. Mas os caloiros vão-se todos embora quando as aulas acabam, para casa, almoçar, ficam só lá uns poucos. Existe um medo e um desespero naquela faculdade que ainda não identifiquei; era suposto tê-lo eu, mas têm-no os outros. Não consigo descortinar bem porquê… ou talvez, sim. Um medo que reconhecem mas não conhecem, a vida nova – será que não percebem que tudo isso é merda? Só interessam as pessoas; mas eles amontoam-se à entrada dos anfiteatros, horrorizados com a possibilidade de viverem algo mais que tenham vivido, no secundário, na vida que deixaram para trás.
Isso, e todos os caloiros que tenho conhecido apesar de simpáticos não têm absolutamente nada a ver comigo. Não direi broncos, não direi fúteis, direi diferentes. É complicado: geralmente as pessoas que têm mais a ver comigo são as mais tímidas a início, mais ao menos, óbvio que não existe um padrão institucionalizado por outro lado, as pessoas mais sociáveis são geralmente menos interessantes…eu dou-me bem com todos. Mas o clima que se respira é de sufoco: não há, na verdade, nada que meta medo! Mas o medo é palpável nos caloiros, que é incrível… lembram-me de mim, mas com cinco anos, aterrorizado, chorando pelos meus pais, no meu primeiro dia de aulas. Nessa altura, só me passou o choro quando um loirinho da minha idade me veio dizer algo como Olha, eu percebo que estejas a chorar porque eu também tenho muitas saudades da minha mãe, mas depois penso que tenho de ser forte, e já a vou ver.
Temos de ensinar a estas pessoas a ser humanas urgentemente.
De resto, vou vendo os dias passar num palco imaginário onde canto, ou toco com uma guitarra que não sei mexer, as minhas músicas preferidas de chuva e perda.
Perda de inocência, perda de férias, de Verão, um hino aos tempos cinzentos que por aí vêm, a que alguém um dia teve a brilhante ideia de compactar numa só palavra, que significasse tudo isso.
Inverno.

1 Comments:
ñ fui eu q comentei o 'heheheh' mas posso comentar um... hihihih :D ******
sapa, a tua noiva xD
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