Somente adormecer
Traz-me a chuva que se resguarda nas montanhas
do desespero,
nas terras escuras que aprendemos a apreciar
traz-me a tua certeza de que no quarto
apenas as paredes nos poderão observar
e poderei agradecer-te devidamente
no momento em que as nossas mãos se tocarem
e eu direi apenas, obrigado
e desse modo fecharemos um ciclo
já de si longo
desde o tempo
em que tirávamos fotografias dos nossos gestos
para termos o subtil prazer
de recordar sorrisos do passado
e quase em acto de ousadia sorrir
novamente,
abraçados junto à lareira
com pouco mais do que uma
chávena de cacau quente
e o som das labaredas inquietas
que só nos querem fazer companhia
lembrar-nos de que nem sempre estamos sozinhos –
embora pareça.
E acalma-te.
suavemente descobriremos quem somos
como se nada mais fizesse sentido
e quando o sono apertar
e soubermos que pouco mais há a fazer
Então sim:
seremos o que sempre ambicionámos e pouco mais haverá a fazer.
somente adormecer.
(Pedro)

2 Comments:
Ola' Pedro.
e' a ecta.
nao sei se o David te disse, mas tenho dificuldade em compreender os teus textos assim mto grandes.
mas pronto, nao interessa.
gostei muito deste,
ta' amoroso.
beijos.
Olá Pedro.
Como faço, sempre que me é possível, passei pelo vosso blog e desta vez, como de todas as outras, deliciei-me em frente ao ecrãn com estas tuas palavras. Está de facto, muito bem elaborado e deu-me uma vontade inquietante de me encontrar também em frente a uma lareira acesa, com um cacau quente e uma manta de lã xadrez.
Acho que o blog que era inicialmente só do João, só veio a melhorar com as tuas palavras. Tenho-me sentido sempre aconchegada na tua poesia.
Continua a colocar estas palavras mágicas para que o mundo se deleite com elas.
Vânia
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