terça-feira, agosto 31, 2004

crítica ao álbum love is hell part I, de Ryan Adams

Não comprei recentemente o cd de que vou falar, mas comprei-o exactamente um dia antes de partir para as minhas férias. Sempre quis fazer posts sobre cds ou músicas de que gosto particularmente, mas esqueço-me sempre. O cd que ouço agora é um ep. Chama-se love is hell, part I, de Ryan Addams. RYAN e não BRYAN.
Ryan Adams teve o condão de se colocar, só com dois cds comprados, no lote de bandas preferidas que venero incondicionalmente meu deus quando raio é que sairá o teu próximo álbum és um deus da música.
O álbum é belo. O primeiro trabalho que comprei dele foi o rock and roll. Achei-o espectacular, exactamente como o nome indica. Mas a música que me despertou mais a atenção no álbum, que me lembro estar a ouvir as cinco e meia da manhã depois de sair de uma discoteca no Algarve, tentando manter a sanidade e lembrar-me de quem eu era, foi a décima, a rock and roll, das mais belas baladas, e simples também, que já ouvi. Já tinha ouvido falar do ep: ele fez um álbum com cerca de quinze músicas, mais intimista, mais especial. Quando o apresentou à editora, nessa súbita viragem de estilo musical, esta não o autorizou. Partiria o álbum em dois eps, e no entretanto desses eps editaria um álbum mais a abrir, senão nada sairia para fora. Acredito que tenha ficado desesperado…eu sei-o. Quando nos dedicamos com força, lágrimas e sangue àquilo que amamos e sabemos que é o melhor nesta vida que fazemos, no caso dele música, ver algo recusado é uma lança de dor, e despeito. Mesmo assim, eu teria feito o mesmo que ele. Explicando: o sentimento do artista é o maior orgulho nas suas obras; ele gosta tanto delas, que sente que elas devem ser objecto de exposição, deve mostrá-las ao mundo porque é o melhor que fez, e o melhor que sabe fazer, e partilhar a sua dádiva com todos. Quando viu a hipótese de ver a sua obra editada, mesmo mutilada e partida em duas, preferiu aceitar a vê-la ficar, intocável, numa gaveta para muito tempo, ou ser alvo de uma edição póstuma.
Love is hell eleva a condição de belo a um outro nível. Através de músicas supostamente até um pouco potentes de mais para serem belas, belíssimas e sublimes, como world war 24 ou a homónima love is hell, por exemplo, Ryan consegue transformá-las em autênticos manifestos da sua verdade, daquilo que quer dizer quando sente o coração ferido e tem de fazer música. É assim que o belo é para ele, ou em músicas mais calmas, como a shadowlands, ou a caterwaul, e não tem vergonha absolutamente nenhuma de o demonstrar: este é um álbum intimista, Ryan quer apenas realizar-se como cantor e músico, praticar uma auto-catarse. Em political scientist, lembra-me curiosamente Jeff Buckley, o grande cantor que faleceu tão novo e só com um álbum editado: a dor nostálgica dele, quase feliz, banha-se pelas partes iniciais da música e parece que o mesmo sentimento de aconchego, de unidade, que se sente com Jeff Buckley voltam, por momentos. Digo também isto porque Ryan parece ser da mesma opinião de Jeff: sad songs are love songs.
As músicas são muitas, apesar de só dez, e digo isto porque o álbum é absolutamente completo – não o considero ep, embora também se note que Ryan ficou com muito por dizer. A própria cover da wonderwall, dos oasis, supera a versão original apesar de não se afastar muito desta. World war 24 e love is hell são exemplos sublimes de toda a sua força e vigor em demonstrar o que consegue, e quer fazer, tendo como único motor uma tristeza, uma melancolia e um amor especiais, muito próprios dele, que acabam por resultar num álbum de baladas, talvez se possa chamar assim, completamente único, dando uma nova definição musical de beleza.
Tenho de encontrar a parte dois. Já fui hoje à carbono e não o tinham…
Um álbum impressionante.

segunda-feira, agosto 30, 2004

crítica ao EP love is hell, de Ryan addams

Não comprei recentemente o cd de que vou falar, mas comprei-o exactamente um dia antes de partir para as minhas férias. Sempre quis fazer posts sobre cds ou músicas de que gosto particularmente, mas esqueço-me sempre. O cd que ouço agora é um ep. Chama-se love is hell, part I, de Ryan Addams. RYAN e não BRYAN.
Ryan Addams teve o condão de se colocar, só com dois cds comprados, no lote de bandas preferidas que venero incondicionalmente meu deus quando raio é que sairá o teu próximo álbum és um deus da música.
O álbum é belo. O primeiro trabalho que comprei dele foi o rock and roll. Achei-o espectacular, exactamente como o nome indica. Mas a música que me despertou mais a atenção no álbum, que me lembro estar a ouvir as cinco e meia da manhã depois de sair de uma discoteca no Algarve, tentando manter a sanidade e lembrar-me de quem eu era, foi a décima, a rock and roll, das mais belas baladas, e simples também, que já ouvi. Já tinha ouvido falar do ep: ele fez um álbum com cerca de quinze músicas, mais intimista, mais especial. Quando o apresentou à editora, nessa súbita viragem de estilo musical, esta não o autorizou. Partiria o álbum em dois eps, e no entretanto desses eps editaria um álbum mais a abrir, senão nada sairia para fora. Acredito que tenha ficado desesperado…eu sei-o. Quando nos dedicamos com força, lágrimas e sangue àquilo que amamos e sabemos que é o melhor nesta vida que fazemos, no caso dele música, ver algo recusado é uma lança de dor, e despeito. Mesmo assim, eu teria feito o mesmo que ele. Explicando: o sentimento do artista é o maior orgulho nas suas obras; ele gosta tanto delas, que sente que elas devem ser objecto de exposição, deve mostrá-las ao mundo porque é o melhor que fez, e o melhor que sabe fazer, e partilhar a sua dádiva com todos. Quando viu a hipótese de ver a sua obra editada, mesmo mutilada e partida em duas, preferiu aceitar a vê-la ficar, intocável, numa gaveta para muito tempo, ou ser alvo de uma edição póstuma.
Love is hell eleva a condição de belo a um outro nível. Através de músicas supostamente até um pouco potentes de mais para serem belas, belíssimas e sublimes, como world war 24 ou a homónima love is hell, por exemplo, Ryan consegue transformá-las em autênticos manifestos da sua verdade, daquilo que quer dizer quando sente o coração ferido e tem de fazer música. É assim que o belo é para ele, ou em músicas mais calmas, como a shadowlands, ou a caterwaul, e não tem vergonha absolutamente nenhuma de o demonstrar: este é um álbum intimista, Ryan quer apenas realizar-se como cantor e músico, praticar uma auto-catarse. Em political scientist, lembra-me curiosamente Jeff Buckley, o grande cantor que faleceu tão novo e só com um álbum editado: a dor nostálgica dele, quase feliz, banha-se pelas partes iniciais da música e parece que o mesmo sentimento de aconchego, de unidade, que se sente com Jeff Buckley voltam, por momentos. Digo também isto porque Ryan parece ser da mesma opinião de Jeff: sad songs are love songs.
As músicas são muitas, apesar de só dez, e digo isto porque o álbum é absolutamente completo – não o considero ep, embora também se note que Ryan ficou com muito por dizer. A própria cover da wonderwall, dos oasis, supera a versão original apesar de não se afastar muito desta. World war 24 e love is hell são exemplos sublimes de toda a sua força e vigor em demonstrar o que consegue, e quer fazer, tendo como único motor uma tristeza, uma melancolia e um amor especiais, muito próprios dele, que acabam por resultar num álbum de baladas, talvez se possa chamar assim, completamente único, dando uma nova definição musical de beleza.
Tenho de encontrar a parte dois. Já fui hoje à carbono e não o tinham…
Um álbum impressionante.

crítica ao EP love is hell, de Ryan Addams

Não comprei recentemente o cd de que vou falar, mas comprei-o exactamente um dia antes de partir para as minhas férias. Sempre quis fazer posts sobre cds ou músicas de que gosto particularmente, mas esqueço-me sempre. O cd que ouço agora é um ep. Chama-se love is hell, part I, de Ryan Addams. RYAN e não BRYAN.
Ryan Addams teve o condão de se colocar, só com dois cds comprados, no lote de bandas preferidas que venero incondicionalmente meu deus quando raio é que sairá o teu próximo álbum és um deus da música.
O álbum é belo. O primeiro trabalho que comprei dele foi o rock and roll. Achei-o espectacular, exactamente como o nome indica. Mas a música que me despertou mais a atenção no álbum, que me lembro estar a ouvir as cinco e meia da manhã depois de sair de uma discoteca no Algarve, tentando manter a sanidade e lembrar-me de quem eu era, foi a décima, a rock and roll, das mais belas baladas, e simples também, que já ouvi. Já tinha ouvido falar do ep: ele fez um álbum com cerca de quinze músicas, mais intimista, mais especial. Quando o apresentou à editora, nessa súbita viragem de estilo musical, esta não o autorizou. Partiria o álbum em dois eps, e no entretanto desses eps editaria um álbum mais a abrir, senão nada sairia para fora. Acredito que tenha ficado desesperado…eu sei-o. Quando nos dedicamos com força, lágrimas e sangue àquilo que amamos e sabemos que é o melhor nesta vida que fazemos, no caso dele música, ver algo recusado é uma lança de dor, e despeito. Mesmo assim, eu teria feito o mesmo que ele. Explicando: o sentimento do artista é o maior orgulho nas suas obras; ele gosta tanto delas, que sente que elas devem ser objecto de exposição, deve mostrá-las ao mundo porque é o melhor que fez, e o melhor que sabe fazer, e partilhar a sua dádiva com todos. Quando viu a hipótese de ver a sua obra editada, mesmo mutilada e partida em duas, preferiu aceitar a vê-la ficar, intocável, numa gaveta para muito tempo, ou ser alvo de uma edição póstuma.
Love is hell eleva a condição de belo a um outro nível. Através de músicas supostamente até um pouco potentes de mais para serem belas, belíssimas e sublimes, como world war 24 ou a homónima love is hell, por exemplo, Ryan consegue transformá-las em autênticos manifestos da sua verdade, daquilo que quer dizer quando sente o coração ferido e tem de fazer música. É assim que o belo é para ele, ou em músicas mais calmas, como a shadowlands, ou a caterwaul, e não tem vergonha absolutamente nenhuma de o demonstrar: este é um álbum intimista, Ryan quer apenas realizar-se como cantor e músico, praticar uma auto-catarse. Em political scientist, lembra-me curiosamente Jeff Buckley, o grande cantor que faleceu tão novo e só com um álbum editado: a dor nostálgica dele, quase feliz, banha-se pelas partes iniciais da música e parece que o mesmo sentimento de aconchego, de unidade, que se sente com Jeff Buckley voltam, por momentos. Digo também isto porque Ryan parece ser da mesma opinião de Jeff: sad songs are love songs.
As músicas são muitas, apesar de só dez, e digo isto porque o álbum é absolutamente completo – não o considero ep, embora também se note que Ryan ficou com muito por dizer. A própria cover da wonderwall, dos oasis, supera a versão original apesar de não se afastar muito desta. World war 24 e love is hell são exemplos sublimes de toda a sua força e vigor em demonstrar o que consegue, e quer fazer, tendo como único motor uma tristeza, uma melancolia e um amor especiais, muito próprios dele, que acabam por resultar num álbum de baladas, talvez se possa chamar assim, completamente único, dando uma nova definição musical de beleza.
Tenho de encontrar a parte dois. Já fui hoje à carbono e não o tinham…
Um álbum impressionante.

de volta.

Parece-me que regressei. Regressei, depois de um mês de potência solar e alguma melancolia à mistura, as saudades queimam por vezes, como sempre costuma acontecer. Foi um bom Verão. Lembro-me que foi, porque o escrevi. Vivi-o, também. As festas de Verão, o convívio, o relembrar de outras coisas, não foi mau, foi tudo muito bom, mas muito ameno. Regresso - e, à minha espera, só me encontro eu pronto para enfrentar o meu futuro que já me sorri por eu saber que vai ser o mais filho da puta possível. Ou talvez não…mas a vida se fosse fácil também não teria piada nenhuma.
Foi um bom Verão. Reencontrei pessoas que já não via há algum tempo, as aventuras fugazes da praxe, do Verão, etc - tudo é comum nisso e ainda bem. Apesar de no fim monótono, conseguiu, como sempre, fazer-me desejar estar lá e em poucos outros sítios mais. Também, o que se faz por Lisboa em Agosto - é quase mais uma cidade deserta.
Foi um bom Verão. Fui eu, afinal, no Verão, vendo a chuva cair e sentir que não eram as minhas lágrimas, que tinha feito os esforços necessários para me drenar. Que tinha conseguido pensar em tudo claramente, esquecendo-me por entre os dias e as noites numa mistura benéfica de risos, festas, álcool e ganza. Precisava de não pensar um bocado, somente divertir-me. No fim, ao ir-me embora, agradeceram-me todos por ter existido para eles e elas todas. Serei eu que mudei, ou foram eles. Ou simplesmente todos nos demos bem desta vez.
Foi um bom verão. Muito para ser contado nesse verão, o meu. Mas não estou com paciência, mas estou de volta.E, agora, universidade.!