quarta-feira, outubro 27, 2004

eletricity

Quando as árvores ondulam ao som
do vento roxo cravejado de folhas ácidas
fugidias
e eu todo me sentir mais tétrico
na bioquímica instável do meu corpo
o céu é um buraco negro.



É electricidade.



Quando os ladrões passarem por mim a toda a força
como um pesadelo eléctrico anti-ciclónico
e o carro deles abraçar rasgando-se todo
uma parede impossível e inocente
em tons de uma melodia lenta de emocore
Fecharei os olhos de alegria
mas chorarei.



É electricidade



Quando o comboio descarrila e as
pessoas
tão ternurentas e alienadas
morrerem como as balas que são disparadas
em filmes mudos
ajudarei até ficar coberto de sangue negro os bombeiros
lúcidos
Para então poder dizer com certeza de facto
que não desejo a morte.



É electricidade.



Se eu digo
o teu nome em forma de navalha
Ou chaga
e uma descarga me perpassa como um orgasmo
pela minha cabeça
calma…
então digo electricidade
a mesma que nos alimenta
e nos faz desejar não ver
mais nada
E fazer amor para sempre.



A electricidade é
O teu nome
reflectido como espuma
na pureza demasiado eléctrica
de todas as coisas.



É electricidade.
Um hino em forma de descarga puta
ou quase.

segunda-feira, outubro 25, 2004

inacabado. um documento qeu encontrei no pc hoje, por acaso.

Poderíamos um dia pegar num par de calças, um crucifixo de uma mãe ou avó falecida, umas últimas fotografias para queimar num dia mais desesperado, e partir; como se nos amássemos tanto que não conseguíssemos sequer estar juntos com estranhos à nossa volta no mundo que tínhamos criado só um para o outro.



(uma prece: um rastejar desesperado em lágrimas e ranho e amor despedaçado enquanto vou a tua casa, com o corpo partido e a sangrar do nariz, e dizer em murmúrios enquanto choro, desculpa, perdoa-me por tudo mas amo-te demais para ainda amar a sanidade.)


poderia responder a tudo o que quisesses se soubesse o que somos. Acredita. O amor foi uma palavra mutilada ao longo dos tempos, mas quando digo o teu nome, é como se ardesse; lembras-te do dia em que saí do trabalho a correr, peguei na mota e atravessei todos os semáforos vermelhos, em desespero de saudades…? Meu deus, meu amor, como foram belos esses tempos.
Lembro-me…


(não, nunca te poderia amar mais, esta casa foi despedaçada, é o fim do mundo tal como o conheço, mas tu persistes, tu existes ainda em todos os cortes de navalha que faço pelo corpo como forma de punição…)



lembro-me que a felicidade era uma criatura estranha, cujo nome era o mesmo que o teu.



Na verdade











INACABADO


17/08/03

[poema conjunto, pt 1]

Obrigado por não responderes à solidão
na vacilação do silêncio vermelho
; e a época de setenta e Novembro tão idílica – como a paz –
espalha-se por ti, em ti
como uma tarde de Sol à chuva.



Somos democracias, ditaduras
do destino celeste.
e talvez possamos, sem grande ousadia,
seguir o trilho que nos leve a um ano
de rebeldia desenfreada, quase viva
tão rebelde em nós, até sermos só pó.
- Anda, sempre que te chamar
Por entre as contusões, os cortes
e nódoas negras
: vou beijar-te nos teus lábios que choram, e,
ensanguentadamente falando, vou recriar-te
: Vamos ser concretos como uma fotografia
e na nossa indecisão, desapertar o blusão de ganga,
ser rebelde – mesmo na cidade.
As ruas aquecem sempre
a urgência do agora, a velocidade do som
Mas, no submundo, onde
não está ninguém que nos conheça. Será
aqui. Por isso, vem
então Vem morrer nos meus lábios
Esquece-me .esquece tudo
e o que te disse
será incendiado. E nem saberemos –
onde os nossos corpos dormirão.




Título: Ano Zero – 1979
(wafer com creme de cacau)

João / Pedro.
17/55/13/05/04


[ hoje foi o dia em que o Buddy Lee voltou – um autêntico milagre de Fátima.]

isso e o Verão.





So bright.

sábado, outubro 23, 2004

o fim do mundo

Outrora
O homem gordo
andrógino vai gritando e
gemendo enquanto livros
Nascem e crescem em pilhas por entre ele
Diz
o fim
que é o fim do mundo
Do mundo, a
casa
Vai-se
desfragmentando



Nunca te poderia amar mais
baton…
A mão congelada segurando
o pecado vermelho
original, a mesa a vergar-se a um mestre
desconhecido
(Frames incríveis e fragmentados)
o tempo
e ele não consegue



E não consigo dormir.
Outra imagem reflectida dele
o papel de parede a ser arrancado por desespero
invisível vira-se e leva as mãos
à cabeça
enquanto não consigo
dormir
Os utensílios
Gritam em todos os poderes da sua nova vida negra
fechado em algo que racha e
grita e se contorce em madeira mas nós
Nós sobrevivemos ao tempo e ao fim
do mundo, a casa milenar finalmente
dá de si e desfaz-se comigo
lá dentro, ele
o Rei agora de tudo o que nunca perdeu
as trepadeiras a crescerem no lugar
da casa a tentarem
devorá-lo



Mas nunca te poderia amar mais
Nunca, ele
te amar mais
O último grito, com dor
O fim do Mundo
conhece o fim em si mesmo, o retrocesso, o entulho, as plantas
os objectos vivos e cada pedra
A banda
Voltam aos seus lugares iniciais



E dentro da casa um meu esquecimento
Ele sente…
Uma ligeira sensação de esquecimento



Mas nunca te poderia amar mais.








João. Tendo como inspiração o clip da música the end of the world, dos The Cure. 14/54/19/10/04

sexta-feira, outubro 22, 2004

primeiros dias.

Bem, pessoal, cá estamos de volta, cá estou eu de volta, porque pôr poemas que escrevemos há uns meses não é bem um regresso… mesmo assim. Ouço uma música calminha, do falecido cantor Elliot Smith, cujo trabalho desconheço ainda. Sei lá, deu-me agora vontade de escrever, ao invés de desligar o pc. Não existe sequer uma ideia, apenas uma vontade.
Está tudo bem e estável, pelas nossas vidas. O Pedro poderá falar melhor dele, mas acho que ontem, numa conversa num café por aqui perto, entre um dia de chuva violento, pareceu-me pela conversa dele e das histórias que contou que se estava a sair muito bem… melhor do que eu é apenas uma forma de ver as coisas. Sim, melhor do que eu, embora isso não me afecte, só me alegre por ele.
O tempo tem estado horrível, será essa beleza tão estranha que me põe assim? Pode ser que sim… quem sabe. Isso, e o facto de ser tão complicado habituar-me à vida académica.
Digo – hehe. Os caloiros são na sua maioria uma merda. Mas espera, hoje conheci dois… dois caloiros novos, hum? Que me dizem a isto. E conheço uma caloira pelo olhar cujas sobrancelhas de ambos se arqueiam cada vez que se torna demasiado óbvio que estamos a olhar um para o outro. Três pessoas da outra turma… ainda o sentimento de me sentir sozinho. Mas é estranho: - quando estou nos corredores não me sinto desconfortável, nem mal, sinto-me absolutamente normal. Bem, até. Afinal, aquele vai ser o meu meio, já o é. Só me sinto meio sozinho, meio nostálgico, quando estou aqui, em casa, sem nada para fazer, porque as cinco tardes livres às vezes podem queimar tanto, ou significar nada. E as saudades das outras pessoas que não vejo, que também deixei no secundário, ou somente no meu coração. Falar de amor e amizade cansa.
Voltar então para casa torna-se um erro. Sim, é certo. Mas os caloiros vão-se todos embora quando as aulas acabam, para casa, almoçar, ficam só lá uns poucos. Existe um medo e um desespero naquela faculdade que ainda não identifiquei; era suposto tê-lo eu, mas têm-no os outros. Não consigo descortinar bem porquê… ou talvez, sim. Um medo que reconhecem mas não conhecem, a vida nova – será que não percebem que tudo isso é merda? Só interessam as pessoas; mas eles amontoam-se à entrada dos anfiteatros, horrorizados com a possibilidade de viverem algo mais que tenham vivido, no secundário, na vida que deixaram para trás.
Isso, e todos os caloiros que tenho conhecido apesar de simpáticos não têm absolutamente nada a ver comigo. Não direi broncos, não direi fúteis, direi diferentes. É complicado: geralmente as pessoas que têm mais a ver comigo são as mais tímidas a início, mais ao menos, óbvio que não existe um padrão institucionalizado por outro lado, as pessoas mais sociáveis são geralmente menos interessantes…eu dou-me bem com todos. Mas o clima que se respira é de sufoco: não há, na verdade, nada que meta medo! Mas o medo é palpável nos caloiros, que é incrível… lembram-me de mim, mas com cinco anos, aterrorizado, chorando pelos meus pais, no meu primeiro dia de aulas. Nessa altura, só me passou o choro quando um loirinho da minha idade me veio dizer algo como Olha, eu percebo que estejas a chorar porque eu também tenho muitas saudades da minha mãe, mas depois penso que tenho de ser forte, e já a vou ver.
Temos de ensinar a estas pessoas a ser humanas urgentemente.
De resto, vou vendo os dias passar num palco imaginário onde canto, ou toco com uma guitarra que não sei mexer, as minhas músicas preferidas de chuva e perda.
Perda de inocência, perda de férias, de Verão, um hino aos tempos cinzentos que por aí vêm, a que alguém um dia teve a brilhante ideia de compactar numa só palavra, que significasse tudo isso.
Inverno.

domingo, outubro 17, 2004

a estrear brevemente num blog perto de si

Aproveito para agradecer a todos os que decidiram, em algum momento, a vir fazer-nos uma simples visita a este espaço. Todos os comentários que nos deixam são sempre lidos com satisfação e interesse. E não se esqueçam que todas as palavras que foram deixadas à solta neste blog, são e serão sempre, para todos vocês. Anónimos ou não. Como tal, e como tanto eu como o João pretendemos não nos deixar conformar com pouco fica aqui dada a novidade de que, brevemente, poderão ler um post conjunto, isto é, escrito por mim e pelo joão, que faz parte integrante de algo que um dia eu e o joão acordamos em chamar de poemas conjuntos. E será isso mesmo: um poema...conjunto.
ainda nos faltará decidir que poema e como o poderemos colocar devidamente à vossa disposição, sem que corra o risco de mutilação porque como podem ver há sempre tal risco, no que toca a elementos estéticos que compõem o poema em causa.
aguardem, por favor.
obrigado.

(Pedro)

A Floresta.

Segue-me através
Da floresta gasocarbónica
(por entre todos os fantasmas…)
Segue-me, eu que
fujo do grande e silencioso de discurso
Cão preto atrás
Da fonte branca e demoníaca bem
no centro…
Que temos de encontrar



Segue-me por entre
braços e braços e braços
De folhas verde-escuras de tão ácidas e maléficas
Encontra-me
Eu estarei em pânico, em
total pânico, admito
gritando como um possesso de terror
Fecha-se sobre nós – será a última
coisa
em que pensarei antes de explodir para a insanidade



Não sussurres sequer o nome
Eles poupam-te, porque
A tua vida não é esta
São a mim que me procuram
Velhas quentes, pregam-me
Rasteiras enquanto se riem
Com as suas raízes
E tu, ao longe
A marcares compasso aos Corvos, e aos pássaros



Tirem-me, tirem-
-me daqui
Desta floresta
Encontra a lucidez comigo
Escondida no centro, branca
Tão desesperadamente necessária
Mas eu vou enlouquecer antes
A floresta
ela



João.
Ao som da segunda música de matt elliot, also ran.
16/06/04

Mas

De que se alimenta a imaginação?
Serás tu -
Ser imaginário?
Ouve-me.
Fala comigo,
como se houvesse a necessidade de se
ser vago.
Por vezes – a vontade.
As palavras,
de quem queria gritar.
Outras vozes.
Cria vida,
regenera-te assim.
Como outros antes de ti
(a minha voz) o fizeram.
Será que avariou o telefone?
Será que ainda somos gente?
Será que.


Mas.







[Ouve-me, diz-me,
de que querias falar comigo?]

domingo, outubro 10, 2004

até breve, até sempre, até já. há, e obrigado... adeus.

Amanhã vou começar as minhas aulas…e acabar, tantas outras coisas. Não estou expectante…estou calmo. Estou…nostálgico da vida que deixei para trás e da vida que vou abraçar, como um retrocesso. Poderia fugir. Reinventar o amor nas palavras que teimam, pela primeira vez, em não sair. Como flores selvagens, vermelhas, vermelhas. Tão belas. Tão belas.
E vou voltar a ser um novo eu. Não é melodramatismo… é querer mudar mais, ainda mais, para melhor. Sorrir-me a cada mês que passa, olhar para trás e ver que sou uma pessoa cada vez melhor.
Cada vez mais, se isto não é um paradoxo, humana. Sentir-me ainda.
Vou ter saudades de todos. – Mesmo… não perdendo ninguém. Só me vou perder a mim…e vai saber tão bem. Obrigado a todas as pessoas que têm vindo a acompanhar este nosso blog, criado por mim num dia qualquer, e que têm, muitas vezes com até algum sacrifício, lido os nossos textos, deixado comments, porém escassos, mas não os pediria de outra forma…que não verdadeiros. Este post também é para vocês – são todos para vocês. E agora, que não sei quando volto a escrever, apesar de não querer parar, torna-se importante assinalar um marco…dizer adeus da forma mais doce, mais porreira, possível. Como seres banais que somos. E é por isso…
Pedro, companheiro, amigo de letras, palavras e momentos, também hoje, agora, chega o nosso tempo, de deixarmos de nos ver tantas vezes. Foi uma viagem de três anos em que crescemos tanto, e um com o outro. Sempre lado a lado, afinal. Contigo me fiz mais pessoa e vi-te tornar no ser humano singular que és – não quero escrever fantástico ou maravilhoso, ambos sabemos que as melhores coisas são as que são ditas com abraços nunca dados ou olhares no silêncio, por entre todas as palavras que não são ditas.
Macau, que só agora estás lentamente a aprender a ser feliz. Que mais dizer-te… tornaste-te numa pessoa incrível, quem daria tanto por ti, há anos. Eu não, deixa-me dizer-to… sabes como sou tão…hum… não importa. E se te dissesse que nada disso importa? Sabes tudo o que eu penso, de ti, de todos nós, de mim, da tua própria humanidade. Um dia serás maior do que muita gente. Já o és. Quem sabe um dia possas vingar aquilo que a sociedade não quer admitir: existem somente pessoas, que convivem e amam outras pessoas. Um dia o mundo será teu.
Nuno… primeiro comentador, nem sei se ainda vens cá. Escrevo-te na mesma, o que importa é sempre o gesto, e o que segue a esse gesto. A tristeza não devia ter o lugar tão cativo que alimentas nela, ou que ela tem em ti. És uma pessoas vencedora, afinal; tudo parece que te deita ao chão, mas tu levantas-te sempre, ainda e com mais força. Continua assim. Melhora se puderes.
Vânia… segunda comentadora. Não te conheço, mas os teus comentários sempre disseram tudo o que havia para ser dito, da tua maneira límpida e, até agora… orgulhosa de falares sobre as coisas que escrevo – deve ser assim talvez, afinal; não me conheces – eu sou somente a obra que lês. Deixa mais comments, gosto sempre de ouvir o que tens para dizer.
Rodolfo. Rudy, como queiras que te chame. Amigo, se quiseres também. Foste tu, até, que me deste esta ideia. Porque não vires aqui referido, quando sabes que tens todas as razões para isso. Dizes-me muito o que pensas, és também um crítico. Subvertes o sistema ousando pensar, seres indivíduo. Queres sempre ser mais – desde que te conheço tem sido sempre assim. Obrigado por tudo o que dizes, e pela tua sinceridade… a tua “espécie” é cada vez mais rara nos dias que correm.
Carolina. Sabes o que penso de ti, já to disse muitas, tantas vezes, mas não o dizer seria tão errado… prefiro antes dizer o gozo que me dá quando sei que vais ler algo meu. És querida demais, em relação ao que eu escrevo, ao que tu pensas do que eu escrevo. E sabes que é importante…é sempre. As opiniões que mais prezo são as dos grandes amigos, e tu sabes em que categoria te inseres em relação a mim. És uma rapariga fantástica. E adoro-te por tudo isso.
Paula… única, sempre no teu melhor. É difícil encontrar alguém tão positiva quanto tu, tão cheia de vida, tão como tu em si mesma. E és assim e não te importas, e penso que todos te admiram por isso. Eu também. Sei que não lês tudo do que escrevo aqui, mas nunca te pedi isso (ok, raras vezes…). Antes, só te peço que os teus pais não te fechem a porta da sala…
Ecta-... vinda directamente de Macau. Continua a escrever aqui miúda, tu, de catorze anos, que invejo em relação ao teu olho para a fotografia…
Dá para acreditar? Claro que sim. Os agradecimentos vão para as únicas pessoas que aqui colaboraram com ideias, comentários e opiniões diversas. Obrigado a todos pela viagem… encontramo-nos talvez noutro Verão, ou Inverno, se regressar.
Até lá, só me resta inspirar fundo e sorrir ao futuro tão previsível mas tão atribulado que me espera.
Um abraço, pessoal.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Ode ao fim do Verão

Qando o Verão acabar
como estaremos.
Talvez felizes
Talvez mortos, talvez deitados
em objectivos falsos.
Mas sei
Que pelo Inverno esperaremos.

terça-feira, outubro 05, 2004

interlúdios.

Ouvimos a tarde respirar como um silêncio mortal.
Estás à minha espera
Eu encosto-me à parede e sete dentes de leão
passam-me entre a minha cara e o Sol que escorre
antes de morrer
Por entre o céu rosa.



Somos homem e mulher.



Sei que sacas de um cigarro
por entre a noite adormecida e antes
de engolires o pânico
e o frio que te passa pelo corpo como
uma carícia…dizendo-te
estás sozinha
A meio país de distância tudo o que sentes também me rasga com doçura
dizendo-me que sou tão fragilmente humano
que até dói.
O quarto está vazio
Mas a presença e respiração tuas
mesmo que nunca tenhas estado aqui
envolve cada pensamento cada peça de roupa, fotografia e música
que uma noite qualquer matei
em busca da minha última réstia de sanidade.



Os dias passam rápido, à velocidade angustiante de um suspiro.



Existe amor aqui;
em todas as palavras que não te disse
e naquelas que imagino tu dizeres mas que nunca ouvi
Neste pequeno suicídio
No crepúsculo entre um momento e outro
…Não há mistérios
Só o fechar de olhos propositadamente
Sentir-te perto
e saber que te amo.







joão.