sexta-feira, julho 30, 2004

vânia, obrigado.

Vânia, muito obrigado pelo teu comentário. Pensava, até ao dia de hoje, ou melhor, manhã, que só os meus amigos chegados liam este blog, já que não percebo de computadores, ou divulgação, ou qualquer outra coisa…não esperava esta surpresa, tão fixe se a palavra me é permitida, tão agradável até…fui ver o teu blog, ainda é tão jovem, mais do que o meu. Gosto do pouco que lá está escrito, de verdade, os poemas, na sua maioria, num estilo bem diferente do meu mas nem por isso menos vincado, mostra que tu, e a tua amiga Susana, já têm uma base sólida de escrita poética. Ou não pá, e no final de contas sou só eu de novo a inventar.
Não te conheço, não sei quem és, arrisco dizer que ainda bem, deve ser isso a propósito do que estou a fazer, ou de tudo isto, afinal: temos ambos uma mensagem para apresentar, que tipo não importa, e pode, ou deve aliás, ser lida por qualquer pessoa… a sério não imaginas como me senti realizado por achar que alguém que não conheço acha interessante o que eu escrevo, é, apenas, mais um motivo para escrever mais aqui…tenho-me desleixado um bocado, acredita. Sei lá…acho que é passível de acontecer (poucas vezes…. J )
Continua a escrever e a dizer o que achas sobre os meus posts, eu ia gostar, mas não és obrigada, a leitura basta… eu já tentei fazer o mesmo no teu blog, mas parece que só “team members” podem deixar os seus comentários…
Acredita, obrigado pelo comentário simples e sincero. Continua a escrever, que eu vou continuar também…brigado, e um beijo…

MAIS UMA VEZ, OS MEUS PARÁGRAFOS FORAM COOOOPLETAMENTE MUTILADOS....EU ESTOU A FICAR PASSADO OCM ISTO!!!

até sempre.

                              Pois é pessoal…ou falta dele: o mês de Agosto aproxima-se, a quimera de todo o verão, no sentido positivo, ou negativo, e eu devo dizer que me vou, como sempre, embora daqui. Também admito que não tenho escrito muito. A ida ao Algarve parece que me secou, de alguma forma, fiquei sem ideias ou sem vontade, em algumas noites ambas as coisas se formaram em mim, e… morri um pouco para a poesia, e para a prosa, mesmo que a prosa se escreva somente, e a poesia se procure. Comparando com o outro mês, foi desastroso. Setenta e poucos poemas, comparados com os 108 do mês de fim de Maio até fim de Junho, foram meses menos proveitosos. Sim, tive os exames. E é verdade que em férias, escrevo menos, mas que fazer. Por vezes passo por estes ciclos, em que nada em mim funciona, e que já não tenho, nesta vida, mais nada a escrever. Que já disse tudo. Óbvio que, quanto mais vou escrevendo, mais horrível se torna este sentimento.
                                Mas vou partir. Vou partir, este mês de Agosto, dizer adeus a tudo por um mês, quando voltar será certamente uma nova cidade e uma nova Lisboa, os anúncios serão diferentes nos cartazes, o ar saber-me-à diferentemente, o céu talvez esteja mais cinzento, costuma estar – afinal, é Setembro pensarei sempre - ; mas, desta vez, esperarei a entrada numa faculdade ainda por confirmar. Se não entrar não estou muito preocupado. Sei tudo o que tenho de fazer da minha vida, e, por acaso, tirar um curso não está nos meus planos obrigatórios. Mas, com uma média três valores acima, parece-me um pouco impossível. Quase que digo infelizmente.  
                              Foi uma viagem interessante, pessoal. Ninguém está aqui, de facto, e ninguém me vê, o que torna as coisas ainda mais interessantes. Parto com o verão, com o fim dele regresso, depois costumo passar as últimas três semanas na mais completa nostalgia.
Adeus, pessoal. Como costumo dizer antes de partir, silenciosamente para mim mesmo.
                             Ainda tenho tempo de escrever as cartas.

domingo, julho 18, 2004

(e agora, um pequeno aparte)

esta porra toda esta a iritar-me... já não é  a primeira vez que tal se sucede....isto não faz os parágrafos!! o meu texto anterior foi em parte mutilado por não ter correctas as ordens dos pontos finais e parágrafos...para mim as pausas são muuuuito importantes...raios...ficou um bloco de texto...ficou horrível...bem para a próxima já sabem. a culpa não é minha, quanto muito é do cable guy

o sono.

 
As memórias esquálidas de todos os poemas e histórias que nunca escrevi ou contarei atormentam-me sempre nos piores momentos, como se eu fosse de facto a extensão de todas as minhas criações, já realizadas ou ainda por realizar. Vejo-as, no Verão de agora, passeiam-se à frente dos meus lábios e cara translúcidas, vejo-as tão bem. Locais. Num local de máquinas de aço e homens que comem a sua própria imagem reflectida, o calor sempre do fim das tarde, as janelas abertas para deixarem o ar voar entre o suor coalhado e evaporado, as palavras surgem-me como quimeras. Digo - quimeras, sei que as perderei, chegarei a casa, tomar banho, ou descansar, ou fazer nada, quando me aproximar de um papel e pegar numa caneta sei que já as terei perdido. Os poemas que nunca irei escrever ir-me-ão perseguir até ao fim dos meus dias. É engraçado, sim. Posso mostrar-vos apenas um par deles aqui no meu blog, mas bem, eles ultrapassam as centenas, julgo estar perto do meio milhar, se contarmos uma centena por cada dossier cheio, sei lá, muitos serão mau mas existem os brilhantes, e depois os baços, que serão sempre os meus favoritos. São escritos com o sono. Eu tenho algumas coisas a dizer.O sono. Deito-me sempre por volta das quatro da manhã, agora, entre as três e meia e quatro e meia da manhã. Não vou usar os jargões do género a noite é a melhor amiga do escritor ou algo assim porque primeiro, não sou um escritor nem um poeta, e depois não penso que isso seja verdade, apesar de a noite ser importante para mim. Mas a noite, ou melhor o sono, fazem coisas fantásticas, ou perto disso se quisermos admitir - pelo menos a mim. Sou cometido no meu sono moribundo mas atento por um torpor físico, sento-me à cadeira de material estranho que range, madeira ou palha não sei, madeira fina ou palha grossa, ponho às vezes música a tocar, mas muitas vezes é o silêncio que me acompanha, tiro o dossier amarelo em que estou a escrever (neste momento o 3.2), e sou imediatamente transportado para um confim de mim mesmo nada esotérico, mas que me faz modificar a minha psique de maneiras só por mim imaginadas. Não sou um génio só porque escrevo à noite e tenho um livro preparado. Aliás dois. Este tipo de linguagem amedronta e seduz à procura desse mesmo confim de cada um dos outros que são tu que lês, como se tu quisesses perder-te em ti mesmo para depois te descobrires, e eu fosse o teu guia invisível que só sabe um caminho, que é o meu, e só em mim encontra a saída possível, ou a perdição possível. Escrevo poemas de enfiada, com estilos diferentes, meia dúzia por vezes, ou antes era isso, agora nem tanto nesta última semana, e só no dia seguinte vou ver o que fiz, olho para as letras que arranhar o papel umas horas antes, e só sei que fui eu que escrevi aquilo porque aquela é a minha letra. Não é genial, é simplesmente fantástico para mim. Poemas, sono, a perdição de cada um de nós. A poesia é isso mesmo, como concluímos numa viagem de comboio à meia-noite, eu e o meu professor de português. A poesia é nada mais nada menos do que a busca racional de nós mesmos. Do abismo que existe dentro de nós mesmos. A poesia é mistificação do real, e se a poesia é um exercício introspectivo, então ela será a arte mais pura de mistificação humana. A poesia é a busca racional do abismo humano que é nosso, e como as pessoas temem esse abismo que existe dentro de cada uma de si mesmas, elas temem os poetas. Os poetas são banidos da existência humana desde a república, de Platão. O poeta é o místico irracional por excelência da raça humana, e ele encontra-se a si mesmo nos limites da sua própria divindade. O poeta é um Deus de si mesmo. É por isso que ninguém o compreende. Porque ele descobriu-se, e só ele o poderá verdadeiramente fazer. Então… eu busco-me nessas definições, nessas gargantuas de dentes farpados que são os meus próprios pensamentos, que me fazem ter medo do que estou a pensar escrever. Já cheguei, sim, a esse ponto, porque sei que me vou enfrentar e não vou ter coragem de lutar contra mim mesmo. Talvez seja então o sono. Eu já chorei com deuses. Já rasguei as asas a anjos e pintei-os de sangue negro enquanto me ria num parque e via uma qualquer minha amada a ser despedaçada por ferros arrancados por um qualquer vento ciclónico, membro a membro e rasgada de formas impossivelmente dolorosas. Já percorri o início de todos os caminhos possíveis de serem percorridos, em mim mesmo, no exterior do futuro de mim mesmo, numa viagem nostálgica ao meu passado, e por fim já me vi morrer.  E afasto-me de todos esses locais quando abandono o papel, quando abandono a busca do derradeiro Poema, da derradeira Palavra, que nunca encontrarei, enquanto me encontro verdadeiramente adormecido durante o dia que corre.Não… não sou um poeta. Não sou um escritor. Sou um homem ou a tentativa de ser um homem completo, que escreve poemas e prosa, com a necessidade de quem não comesse nunca, que bebesse as minhas próprias palavras. Como alguém que bebesse o seu sangue, nada mais. E, enquanto me sinto mais perto da verdade inatingível que pretendo alcançar, tudo se revela a mim como a resposta possível a todas as dúvidas, e sinto-me incrivelmente aliviado.E, então finalmente, paro de escrever e vou por fim dormir. Para de novo esquecer para sempre poemas que um dia criei. São esses os que mais choro.Amanhã há mais, punheteiros.

domingo, julho 11, 2004

um poema do livro Inícios.

O local não é importante
No som –
Apenas um parque
Os seus gemidos são indivisíveis
Chegaste como sempre tarde



Ardias
Apeteceu-me gritar
Como se de vidro fosses e te visse de facto
Partires-te na explosão
Fragmentares-te como uma libelinha andrógina
De asas de fogo



Não
Não nos devoramos um ao outro
O manto ardeu e desapareceu no ar,
Na casa de ferro habitada por pesadelos diurnos e eléctricos
E pessoas desconhecidas de metálicos esgares



Quis levar-te dali
Sentir mais facilmente os ventos ciclónicos
Os meus próprios gritos
Agarrar-te pela mão
e Dizer-te por entre toda a furiosa devastação
Que tudo isto é meu



Mas escolhemos ser humanos
Sentirmo-nos no próprio roçar dos lábios
As árvores vibravam como lâminas em cumprimentos
…Mas o meu reino não era este.



Olhei para ti, e percebi
A fantástica metamorfose.



Não demos as mãos
E deixei-me rasgar e mutilar pelos demónios de aço do fim da tarde.