domingo, julho 11, 2004

um poema do livro Inícios.

O local não é importante
No som –
Apenas um parque
Os seus gemidos são indivisíveis
Chegaste como sempre tarde



Ardias
Apeteceu-me gritar
Como se de vidro fosses e te visse de facto
Partires-te na explosão
Fragmentares-te como uma libelinha andrógina
De asas de fogo



Não
Não nos devoramos um ao outro
O manto ardeu e desapareceu no ar,
Na casa de ferro habitada por pesadelos diurnos e eléctricos
E pessoas desconhecidas de metálicos esgares



Quis levar-te dali
Sentir mais facilmente os ventos ciclónicos
Os meus próprios gritos
Agarrar-te pela mão
e Dizer-te por entre toda a furiosa devastação
Que tudo isto é meu



Mas escolhemos ser humanos
Sentirmo-nos no próprio roçar dos lábios
As árvores vibravam como lâminas em cumprimentos
…Mas o meu reino não era este.



Olhei para ti, e percebi
A fantástica metamorfose.



Não demos as mãos
E deixei-me rasgar e mutilar pelos demónios de aço do fim da tarde.