sábado, junho 05, 2004

um post melodramático quando não deveria existir nenhum melodramatismo aqui

Ontem foi o meu jantar de fim de ano. Nada de mais, algo calmo, momentos bem passados com dois professores que sempre ficarão connosco, os colegas a quem confiamos uma parte de nós enquanto pessoas, o relembrar de todo este percurso em que começamos miúdos e terminamos jovens quase adultos, prontos.
Prontos para o que virá se vier algo.
De repente vimo-nos todos. Desculpem nós vamos sair mais cedo, precisamos de sair mais cedo para montarmos os cenários…apareçam depois, o público também não é assim tanto…
E é assim que todo o carinho entre as pessoas podia ter existido.
Falámos todos muito. Como se nos esperássemos, ou nos procurássemos nas justificações e ideias dos outros que proferiam de cada um. Mas sabe que de todos o professor foi um dos nossos preferidos de todo o nosso percurso académico. João não diga isso…mas é verdade professor, a Inês também? Estou-me a sentir muito
Muito muito muito.
As coisas vão acabar todas. Sei que, daqui a uns meros meses, nenhum de nós se reconhecerá de novo.
Poderá isto muitas vezes acontecer? Saber exactamente quando estamos prestes a saltar o abismo de encontro ao futuro? Eu não tremo em relação a isso. Só inquiro.
Bem, como pensar nisto tudo, hum? As coisas talvez parecessem muito mais simples de serem pensadas enquanto esperava por um comboio para a amadora na estação do Cacém às onze e meia da noite, com o meu professor de português. Mesmo que ele não dissesse nada, o que é uma palavra. O poeta tenta sempre encontrar A Palavra primordial nos seus poemas, busca-a freneticamente em toda a sua poesia, para, é claro…nunca a encontrar. As pessoas temem os poetas e não os compreendem porque as pessoas temem e não compreendem o desconhecido, e um poeta é aquele que procura o desconhecido nele mesmo, quer saltar o abismo em que nenhuma das pessoas normais quer cair. Os ensinamentos que demos um ao outro? Não somos professores, apenas pessoas. Só lhe podia ensinar mim mesmo, e penso que sou uma matéria densa.
De qualquer modo, acho que nem sequer aguentava mais uma semana de aulas. Masoquistas são os que não faltam, eu sei que o faria. Os exames vêm aí, o calor chegou e nós sentimo-nos com calor, tudo parece tão simples que até mete raiva, tu não me respondes, eu falo-te, aqui enquanto ele diz que se engole…
As coisas vão acabar todas. Que bacano.
(será que a abstractização dos meus posts é constante?)