quinta-feira, maio 27, 2004

o recordar de um momento aúreo.

E então ela disse.
Acho que tu podias ser a pessoa perfeita, a pessoa que eu tenho procurado…mas…
E então eu disse.
Mas o quê? Estás a dizer isso, como se não tivesse a mínima importância.
E então tu disseste, antes de a tua voz partir
(olha tenho uma coisa importante para te dizer)
Disseste
Disseste Já passou, ou seja, acabou tudo agora, parece que estamos assim, por causa de ironias a desencontros, o que é que fizemos um ao outro para cometermos estes erros para mim, irreversíveis?
Incompreensíveis…
E então eu disse. (falando pela minha boca e aqui falando pela tua, eu parece-me que o disse.)
Então eu disse. Procurei-te, um dia. Antes do que eu julgava ser o meu presente, nos próprios confins imemoriais do pensamento, e contemplei tudo aquilo que me fora dado e que eu, de certa forma, recusara.
E disse Tenho medo.
E então tu disseste.
Medo de quê?
Sei lá, de tanta coisa. De tudo, medo, medo de te ver e de perceber que tudo talvez não passe de uma mentira, e estejamos a ser actores de uma peça de teatro do absurdo que nós próprios criamos, sem querermos…
Então tu disseste.
Disseste um adeus, eu sei que disseste um adeus. Não sei muito bem como foi proferido…mas disseste um adeus. À tua maneira levemente soluçada e periclitante, baixa, rouca e suave, levemente. Despediste-te à tua maneira, como quem guarda na prateleira um livro que um dia amou. Despediste-te para sempre. Ficaste com medo para sempre.
E assim partiste. Tudo é uma viagem, é só o querer em alguns troços a companhia de alguém. Mas dormimos toda a tarde e quando acordámos sabíamos que já não éramos os mesmos.
Umas mensagens. A promessa de uma promessa de um acreditar possível, desesperado e nada plausível.
Um beijo etéreo e assim ficamos.