evidence
Este mundo é um mundo e é só. Bastará, talvez, que seja um mundo, repare-se…nem sequer temos termos de comparação, isto não é triste? A raça humana, no entanto, pessimista como é, não são só os portugueses, encontraria no entanto só virtudes na mais primitiva civilização.
O que me faz pensar no seguinte (é automático…) ;- se a nossa terra é tão desprezível…ou seja, se por ela temos tanto asco, se existem pessoas que quereriam partir daqui o mais depressa possível… desde quando, desde quando é começamos a fazer isto a nós mesmos, desde quando passamos a ser os carrascos da nossa própria espécie?
A raça humana é o sadismo na sua forma mais pura.
Penso: quase nada faz sentido. E é verdade. Encontro-me aqui, rodeado de pessoas, algumas amigas, outras colegas somente, muitas delas fúteis, outras nem tanto, vejamos a vida, aqui está o meu triunfo: faremos o óbvio de todas as coisas, vamos sair muitas vezes à noite, vamos passar os melhores anos da nossa vida na universidade e casar, emprego de sucesso, quem sabe se aproveitem bem os fins de semana, com sorte ou azar um de nós vai ter um ou uma amante para se fingir que a vida tem mais pica perto dos quarenta, e depois é a decadência, são os putos que voltam a fazer o nosso percurso, de uma maneira ou de outra, morremos. E tudo o que deixamos é um número de contribuinte e um bilhete de identidade. Só passamos a ser caras nas fotos, e nada mais.
Bem vindos, meus amigos, à vida banal. Nada temos senão as emoções como o amor, o desespero, o terror, o medo, a volúpia e a luxúria para nos fazerem sentir vivos, e tudo o que poderemos desejar é nunca pararmos de sentir. Aqui estamos. Iremos todos pró caralho, obviamente. Seremos apenas o avô ou o bisavô ou o trisavô de tal pessoa anos mais tarde que também será o avô de alguém, e se não deixarmos nada escrito, nem sequer seremos recordados enquanto pessoas, somente como familiares. Contra isso não tenho nada. Insurjo-me somente contra a vida comum, o querer parar das pessoas, o não quererem deixar a sua marca, aqui, nesta esfera redonda, poder de facto mudar algo, por nós, pela nossa raça, para dizer eu fiz isto, fiz algo e fui útil, ou quanto muito…
Permitir ao menos alguma realização pessoal, saber que existimos por nós mesmos. Não nos deixarmos levar pelo rebanho.
Como manter a permanente lucidez? É simples…
Basta ver-se que muita coisa (quase tudo..)…
É efémero. E assim tudo deixará de fazer sentido, e só nós faremos sentido verdadeiramente em nós.

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