a partida
Vais partir
Mas desta vez és tu que me abandonas.
Sim…como uma face recortada
à luz prateada do luar
Que chora
Sei que nunca mais te vou sentir…ou agarrar
Eu sei
Vais partir de noite
Ou pela madrugada
E arrumarás com cuidado a tua alma com cuidado na mala
(nunca se sabe quando podes dela precisar…)
Eu nem sequer vou ter tempo de me despedir
É como a viagem lenta do cancro
Nessa altura todos dizem
Que as lágrimas ganham novo significado.
…
Se eu pudesse então, ao menos
Ver-te chorar ainda
Não
Não partas
Imploro-te; como
uma criança suja e desesperada
A quem negaram a própria infância…
E vê a vista permanentemente enevoada
Nunca poderei dizer o quanto te amo
Da forma mais sublime
Ou ainda sentir-te
Como quem te sentiu e sente ainda
Procurar-te-ei na estação do dia seguinte
Feita de escamas de peixe e repleta de manhã
e frio
Mas sei que
Chegarei de qualquer maneira atrasado
…
Ou então
Esperarei pela tua partida
Na plataforma de chegada.

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