sábado, junho 26, 2004

uma exortação aos verdadeiros condenados

Vamos
Vamos para aqui, onde o tempo passa em absoluto
Ao lado do nada e da fronteira da imaginação
E onde as cicatrizes das lembranças
Se fecham ferozmente como um punho



Vamos
Fugiremos à não-transcendentalidade
Vamos para o único lugar seguro
Onde o presente será sempre o futuro
E onde o passado arde



Vamos
Aqui, agora, sem compromissos
Sozinhos ou aos grupos de pares
Para este lugar onde o real e o previsível
Não são mais do que resquícios



Vamos
Sentiremos à flor da pele a melanina
Vamos preparar-nos para a viagem
Fecharemos os olhos ao vento ardente
E a este mundo que só agora por nós suspira.



Vamos.
Antes que o tempo
Se torne afinal tempo
E se faça tarde.



Vamos.
Não há complacências
Nem demoras.
E não há lugar para cobardes.