terça-feira, junho 29, 2004

data

As férias do Verão começaram, e parece-me tanto que se arrastam como uma melodia de um carrossel a ser tocada, muito lentamente, muito dementemente, ao contrário. As férias chegaram, estão aqui. Agora é matar um tempo com o que nada nos possa sequer parecer minimamente interessante.
Pergunto-me. Tudo se resumirá a isto? Passar tarde após tarde com. Esperem. Vou começar de novo.
Dia três de Julho é um dia especial. Ou, pelo menos, devia ser mas. Mas é-o, pelo menos para mim. Devastado por tudo o que esse dia possa ter trazido para mim, faz hoje um ano, um ano certo, inteiro, compacto, que aprendi a dar valor a um simples dia de uma simples data do que tudo se resumiu a um simples momento. É possível reger a vida das pessoas através de um momento, de um nascimento, de uma guerra, de uma morte, de um encontro. A Bíblia já o fez, com o nascimento do seu grande primogénito, a primeira pop star a nível internacional; e eu agora, faço-o, tanto para manter a minha sanidade como para explicar o porquê do meu comportamento durante todo este inteiro ano, como se um só dia o pudesse explicar. Os motivos são, como se sabem, todos eles pessoais. Os efeitos somos nós.
O dia três de Julho deverá, penso, ter sido um dia normal para muitas pessoas, pelo menos para a sua esmagadora maioria. Bem para mim…foi um singular dia, em que de dia teria todo o significado importante desse mesmo um dia. Foi uma quarta, uma quinta ou uma sexta? Ou terá sido uma terça…não sei, é irrelevante, só a memória me pode ajudar porque o rolo inteiro que gastei não se encontrava na máquina. Desse meu dia não existem absolutamente nenhumas recordações palpáveis, que me coloquem lá, no meio da minha própria existência enquanto pessoa e passado. Era um miúdo. Ainda sou um miúdo. Mas aprendi a dar um todo novo significado a sentir falta de…
Quero, ás vezes, acreditar no total determinismo do mundo. Assim, poderia dizer que todo o meu destino estava planeado para que, depois, eu fosse algo. Que era normal o que me estava a acontecer, porque as coisas estavam absolutamente determinadas a acontecer assim. Será verdade? Eu pergunto-me…teremos gosto em saber que somos totalmente livres? Isso também significa que estamos totalmente sozinhos. O liver-arbítrio obrigou-nos a renegar as entidades cósmicas.
E, no entanto, parece que para mim tudo nestes meus últimos tempos de curta vida se resume a apenas UM DIA. Um singular dia, uma data, o numeral dessa data, o nome do ano, o número do ano, a equação matemática possível acerca da minha posterior definição de personalidade – ela não mudou a cem por cento, apenas mudou.
Bem…estar sozinho nunca foi agradável. Revejo, agora, todas as coisas que aprendi e que me permitem dizer Eu sou isto. Eu sou a soma de todas estas coisas, de tudo o que me fez pessoa e o que sou hoje, ou mesmo a tentativa de ser algo – ao menos, a tentativa de ser algo já pode ser algo.
Mas tudo, no fim do dia, parece resumir-se.
A uma só coisa. A uma só data.
A uma só pessoa.