segunda-feira, setembro 20, 2004

Certa noite, tristemente

Tentei trepar pelo teu braço
como uma leve brisa
tentando aconchegar-me no teu ombroao chegar ao fim da viagem – da missão.
E agora que estou gasto,
pouco me resta senão sorrir.
Eras tu -
Acompanhei-te a casa,
falámos como num dia normal
como se no amanhã ainda nos pudéssemos encontrar.
Mas não…
porque essa noite quebrámos as correntes que nos prendiam
e foi como se o nosso amor estalasse
e pudesses cantar tristemente,
enquanto te via desaparecer nas luzes do prédio.
Sentei-me ao relento por horas,
não esperava por ti, queria apenas despedir-me
Como só eu o sabia fazer…sozinho.
Sei que me observaste da tua janela
e de relance, vi a tua lágrima cair durante uns segundos –
e foi como se demorasse horas a falecer no ar –
até pousar na minha mão.
Não te disse adeus.
Sabíamos bem que entre grandes amores
não havia nada que as palavras pudessem dizer.
Lembro-me de ter caminhado pelo passeio húmido
e não sei como,
mas sei que essa noite, de regresso a casa
até às origens de um outro tempo,
caminhavas comigo, de mansinho,
sem que a tua presença se fizesse notar.
Nessa noite, meu amor, tornaste-te o anjo que me acompanha.

(Pedro)

1 Comments:

At 21 de setembro de 2004 às 01:18, Anonymous Anónimo said...

Bem, já me sentia de facto um pouco mal por não comentar nada. sabes que não é por mal.
Já tinha lido este poema há tempos. Lembrava-me dele, da imagem da lágrima a cair lentamente e também de uma frase em particular - "Sabíamos bem que entre grandes amores não havia nada que as palavras pudessem dizer."
Tens uma maneira muito bonita de falar de amor. Algo nostálgica, mas ao mesmo tempo confiante. Não tenho muito jeito para estas análises eu confesso... Nem quero tentar arranjar adjectivos para descrever a tua poesia. Apenas gosto de lê-la por muito que nem sempre saiba que te dizer.
Continua amigo.
Ricardo

 

Enviar um comentário

<< Home